5 sinais de que você está cobrando demais de si mesmo neste início de ano

A psicoterapeuta Daniele Caetano explica como a pressão por metas pode afetar seu bem-estar emocional.

O início do ano costuma ser associado a novos começos, planos ambiciosos e promessas de mudança. Embora esse discurso soe inspirador, ele também carrega uma cobrança silenciosa que afeta diretamente a saúde mental de muitas pessoas. A ideia de que o ano precisa começar com energia total, produtividade elevada e transformações imediatas pode gerar ansiedade, frustração e a sensação de inadequação.

De acordo com a psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da ‘Caminhos da Terapia’ e da ‘Mentoria Bem Me Quero’, o conceito de recomeço nem sempre considera o estado emocional real das pessoas. “Existe uma expectativa social de que janeiro seja sinônimo de motivação e disposição, mas nem todo mundo chega a esse período bem. Quando o recomeço vira obrigação, ele deixa de ser saudável e passa a gerar sofrimento”, afirma.

A pressão por metas irreais é um dos principais gatilhos emocionais no início do ano. Quando os objetivos impostos (ou autoimpostos) ultrapassam o limite saudável, o corpo e a mente costumam dar sinais claros de alerta; veja cinco deles a seguir:

1. Culpa constante, mesmo quando você se esforça

Se, apesar do empenho, a sensação de culpa não dá trégua, é um indício de autocobrança excessiva. A pessoa sente que nunca faz o suficiente, que está sempre devendo algo a si mesma ou aos outros. “Metas equilibradas estimulam o crescimento. Metas irreais geram esgotamento emocional e fazem com que a pessoa sinta que nunca é suficiente”, explica Daniele.

2. Ansiedade ao pensar no futuro

Planejar o ano deveria trazer direção, mas quando cada plano provoca tensão, aperto no peito ou medo de fracassar, algo está fora do eixo. A ansiedade surge quando o futuro é visto como um teste constante de desempenho e não como um caminho possível, com ajustes e pausas.

3. Dificuldade para dormir e cansaço persistente

Insônia, sono agitado ou a sensação de acordar cansado são sinais frequentes de sobrecarga emocional. O descanso perde qualidade quando a mente não desacelera, tomada por cobranças, listas de metas e comparações.

4. Irritabilidade e impaciência fora do comum

Quando a autocobrança ultrapassa o limite, pequenas frustrações ganham proporções maiores. A irritação constante pode ser a forma que o corpo encontra de sinalizar exaustão. Não é falta de força de vontade, é excesso de pressão.

5. Sensação persistente de fracasso

Mesmo diante de conquistas, a pessoa sente que está ficando para trás. Esse sentimento costuma ser intensificado pelas redes sociais, sobretudo na virada do ano, quando imagens de rotinas perfeitas e conquistas rápidas se multiplicam. “As pessoas esquecem que estão comparando seus bastidores com o palco do outro. Essa comparação constante mina a autoestima e aumenta a ansiedade, principalmente quando parece que todos estão avançando, menos você”, pontua a psicoterapeuta.

Motivação ou punição? A pergunta que muda tudo

Diferenciar motivação genuína de autocrítica excessiva é essencial. Segundo Daniele, a motivação saudável vem acompanhada de entusiasmo e flexibilidade; já a autocrítica aparece carregada de rigidez, comparação e medo de errar. “Uma pergunta simples ajuda muito: esse objetivo me inspira ou me pune? Quando o plano nasce da cobrança e não do desejo, é um sinal de que algo precisa ser revisto”, destaca.

Para proteger a saúde emocional logo no início do ano, pequenas ações fazem grande diferença. Criar rotinas possíveis, respeitar o próprio ritmo, cuidar do sono, reduzir o excesso de estímulos e incluir pausas conscientes ajudam a regular o emocional. “Mudanças sustentáveis começam no simples. Não é sobre fazer tudo, é sobre fazer o que é possível”, afirma.

Recomeçar não precisa significar mudanças drásticas. Muitas vezes, o caminho mais saudável está em ajustes sutis e realistas, como rever expectativas, aprender a dizer não, pedir ajuda e praticar mais gentileza consigo mesmo. “Autocuidado emocional não é sobre perfeição ou desempenho, é sobre presença, escuta interna e coerência com a realidade de cada um”, reforça a psicoterapeuta.

A psicoterapia surge como uma aliada importante nesse período, ajudando a organizar emoções, compreender padrões e construir objetivos mais alinhados com a vida real e não com cobranças externas. Para quem já iniciou o ano se sentindo ansioso, frustrado ou exausto, Daniele deixa um recado final: “O primeiro passo é parar e reconhecer como você está, sem julgamento. Nomear o que dói já é um ato de cuidado. A partir disso, buscar apoio pode evitar que o cansaço emocional se transforme em adoecimento ao longo do ano”, conclui.


Onde buscar ajuda: em momentos de sofrimento emocional intenso, o Centro de Valorização da Vida(CVV) oferece apoio gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou chat.

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