A data de 8 de Janeiro, marcada pelos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, transformou-se em uma plataforma eleitoral para diversos pré-candidatos alinhados ao bolsonarismo. Com a anistia dos presos e a anulação dos processos como principais bandeiras, esses postulantes buscam capitalizar politicamente o episódio que resultou na condenação de Jair Bolsonaro, seus aliados e apoiadores.
Filha de condenado se filia ao PL em Goiás
Uma das figuras que adota o 8 de Janeiro como plataforma é Luiza Cunha, conhecida como “Filha do Clezão”. Seu pai, Clériston Pereira da Cunha, faleceu na Papuda em novembro de 2023 e tornou-se um símbolo para os defensores da anistia. Luiza filiou-se ao PL de Goiás, com o apoio do senador Wilder Morais, e pretende ser pré-candidata a deputada federal. Ela descreve o 8 de Janeiro como “uma manifestação pacífica, movida pelo amor à pátria e pelo desejo de justiça”.
Advogada de familiares de presos no Novo busca vaga na Câmara
Carolina Siebra, advogada da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav), também entra na disputa eleitoral. Ela se filiou ao Partido Novo do Ceará com o objetivo de ser pré-candidata a deputada federal. Apoiada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), Carolina defende a anistia e a anulação dos processos, criticando o que chama de “abuso de poder” por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Irmã de “Débora do Batom” foca na anistia e em direitos de crianças com necessidades especiais
Em São Paulo, Cláudia Rodrigues, irmã de Débora Rodrigues, a “Débora do Batom”, é outra pré-candidata a deputada federal pelo Novo. Débora, presa após os atos de 8 de Janeiro e hoje em cumprimento de pena em casa, tornou-se um ícone para o movimento. Cláudia considera a acusação de tentativa de golpe um ato de “ignorância” e afirma que os presos foram usados como “bode expiatório”. Sua principal pauta é a anistia, mas também pretende defender os direitos de crianças com necessidades especiais.
A estratégia de usar o 8 de Janeiro como plataforma eleitoral se estende a outros nomes, como Marcos Vanucci (PL-SP), comunicador que ficou preso por 70 dias, e a vereadora Gislaine Alves Yamashita (PL-MT), que atuou na defesa de presos do episódio. Ambos visam levar a causa para dentro do Congresso Nacional.
A data de 8 de Janeiro, para esses pré-candidatos, representa uma oportunidade de mobilizar eleitores que se sentem perseguidos e que buscam a liberdade dos condenados. A polarização política e a forte identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro parecem ser os principais motores dessa nova onda de candidaturas que transformam um evento controverso em um projeto político.
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