Está fechado o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Levou 25 anos (uma geração) de avanços, retrancas e recuos, mas o que saiu foi inédito.
França, Polônia e Irlanda vinham rejeitando o acordo. O presidente da França, Emmanuel Macron, avisara que “o acordo continua sendo inaceitável”. A maior resistência vem dos produtores rurais, a maioria deles ineficiente, que temem a concorrência do produto do Mercosul. Logo deverão compreender que, se ficarem de fora, perderão mais do que ganharão.
Boa pergunta está em saber por que, depois de tanta defensiva e muito conversê, a aprovação do acordo, ainda em princípio, ficou inevitável.
Acordo entre os blocos econômicos foi firmado depois de 25 anos. Foto: Matilde Campodonico/AP
Do ponto de vista da Europa, passou a ser necessário agir diante de dois riscos: o do enorme protagonismo da China dentro do território do Mercosul; e o das ameaças do presidente Donald Trump de cortar importações da Europa. Do lado do Mercosul, foi removida grande parte da oposição dos industriais que temiam perder mercado interno para os europeus, que contam com mais tecnologia e recursos baratos. Basta lembrar o que foi o rechaço da proposta da Alca, que seria a Área de Livre Comércio das Américas (que incluiria Estados Unidos, Canadá e México).
Embora sua maturação leve mais alguns anos, esse acordo deve começar desde já a produzir consequências. Empresas e grupos financeiros de todos os calibres terão agora de avaliar com que estratégia e com que recursos encararão a participação na ampliação de seu mercado. Chegar atrasado pode custar perda de participação no bolo.
O principal desafio do Mercosul consistirá em levar mais a sério as relações entre os membros do bloco. Desde o início se propôs a queimar etapas e a se constituir em união aduaneira, situação que exige tarifas unificadas no comércio com terceiros países. Mas está longe de completar o primeiro estágio, o de área de livre comércio. O fluxo dentro do bloco ainda capenga com muitas restrições, como a da imposição de cotas de importação e da exigência de conteúdo local.
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