Agro brasileiro em alerta: EUA x Irã e o risco para exportações

Crise entre EUA e Irã gera apreensão no agronegócio brasileiro

A escalada da tensão entre os Estados Unidos e o Irã acendeu um sinal de alerta no setor produtivo brasileiro, especialmente no agronegócio. A preocupação reside em dois pontos principais: a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de impor sobretaxas de 25% a países que mantêm negócios com o Irã, e os rumores sobre um possível ataque iminente dos EUA ao território iraniano. Especialistas apontam que essas ações podem ter um impacto significativo tanto nas exportações diretas para o Irã quanto no comércio com toda a região do Oriente Médio.

O peso do Irã nas exportações do agro brasileiro

O comércio entre Brasil e Irã no setor agropecuário é expressivo. No último ano registrado, o Brasil exportou cerca de US$ 2,9 bilhões em produtos do agronegócio para o Irã, totalizando 11,532 milhões de toneladas. O principal produto nessa balança comercial é o milho, que sozinho gerou US$ 1,98 bilhão em 2025, representando 68% do total das exportações brasileiras para o país. Soja e açúcar também figuram entre os principais itens. Do lado das importações, o Irã é um fornecedor importante de ureia para o agronegócio brasileiro, com exportações de 184,738 mil toneladas em 2025, avaliadas em US$ 66,834 milhões.

Incertezas sobre sanções e o futuro do comércio

Uma das principais ressalvas do setor produtivo reside na modalidade de exportação conhecida como barter, amplamente utilizada nas negociações com o Irã. Embora as sanções atuais impostas a Teerã não incluam alimentos, o que permite ao Brasil exportar suas commodities sem maiores implicações, a incerteza paira sobre novas medidas. Há o temor de que uma nova rodada de sanções americanas possa abranger o setor de alimentos, mesmo sendo uma questão humanitária. Exportadores de milho destacam que o volume destinado ao Irã supera o negociado com a União Europeia e representa 23% de todo o volume vendido do cereal pelo Brasil, um montante que não seria facilmente substituível.

Governo aguarda desdobramentos e avalia riscos

Autoridades brasileiras, por enquanto, evitam estimar os impactos diretos, ponderando que a ameaça de taxação ainda não foi formalizada pelos Estados Unidos. A orientação é aguardar os desdobramentos da retórica de Trump e os próximos passos dos EUA em relação à região. Histórico de ameaças semelhantes, que não se concretizaram em anos anteriores, também gera cautela. No entanto, a preocupação com um potencial conflito no Oriente Médio é real, considerando que a região representou US$ 12,580 bilhões em embarques do agronegócio brasileiro. Além disso, um conflito poderia elevar os custos do frete marítimo, com navios evitando a área.


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