Aliados de Lula reclamam: Governo sem ‘xerife’ para segurança pública

Base aliada pressiona por mais protagonismo na segurança pública

A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra crescente insatisfação com a atuação do governo em relação à segurança pública. A percepção generalizada é de que falta uma figura forte, um “xerife”, capaz de defender a pauta do governo em igualdade com a oposição. Essa carência de liderança, segundo interlocutores, reflete uma aparente falta de convicção do próprio presidente em priorizar e articular respostas efetivas para o complexo problema da segurança no país.

A ausência de um discurso coeso e contundente tem sido um obstáculo, especialmente em um ano que antecede importantes debates eleitorais. A oposição tem se aproveitado dessa fragilidade para dominar o noticiário e a pauta política, como evidenciado após a recente operação policial no Rio de Janeiro. O Planalto, pego de surpresa, busca agora um posicionamento que ressoe com a opinião pública, mas encontra dificuldades.

Ministério específico para segurança: um desejo distante

Uma parcela significativa da base governista defende a criação de um ministério dedicado exclusivamente à Segurança Pública. A ideia, no entanto, parece cada vez mais distante de se concretizar devido às profundas divisões internas, tanto no governo quanto dentro do próprio Partido dos Trabalhadores (PT). A avaliação é que o atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, não possui a afinidade necessária com o tema para confrontar eficazmente a direita no campo discursivo. Essa fragmentação interna impede a formação de um consenso e a apresentação de uma frente unida.

O temor é que essa falta de articulação e priorização se reflita negativamente nas eleições futuras, onde a segurança pública tende a ser um tema de grande apelo eleitoral. A dificuldade em apresentar soluções concretas e uma narrativa convincente fragiliza a posição do governo perante a sociedade e a oposição.

Derrota no Congresso e temores sobre o Senado

O incômodo com a condução da pauta de segurança pública se intensificou após a derrota do governo na Câmara dos Deputados com o projeto de lei antifacção. O parecer do relator, Guilherme Derrite, foi aprovado com amplo apoio, apesar da resistência do governo e do PT. Embora houvesse esperança de reverter pontos cruciais no Senado, com o relator Alessandro Vieira buscando um texto de consenso, novas preocupações surgiram.

A insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com a indicação de Jorge Messias para a Advocacia-Geral da União em detrimento de Rodrigo Pacheco para o STF, levanta o receio de que essa questão política possa impactar negativamente a tramitação de projetos importantes, incluindo aqueles relacionados à segurança pública. A falta de um “xerife” no governo, somada às disputas políticas internas, cria um cenário desafiador para a gestão da segurança no Brasil.


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