Na economia da floresta conservada, a chamada sociobioeconomia, o foco é promover produtos que possuam qualidades intrínsecas de regiões tropicais. Um exemplo são as mesas executivas da ApexBrasil, que facilitam a articulação entre setores público e privado, identificando desafios e oportunidades específicas. Uma dessas mesas explora o potencial da cadeia da castanha-do-pará, abordando questões como os padrões fitossanitários necessários para sua certificação e exportação. Atualmente, produtos florestais não madeireiros representam apenas 0,2% das exportações totais brasileiras, indicando um vasto potencial inexplorado.
No campo da economia em áreas sob ameaça de desmatamento ou já convertidas pela produção de commodities agropecuárias e minerais – a bioeconomia florestal -, há um crescente interesse na agenda de restauração, tema que já foi objeto desta coluna.
Mas é na Amazônia urbana que se encontram setores essenciais para o seu dinamismo econômico. Para isso, é necessária a formulação de programas destinados a aumentar a produtividade nos setores industrial e de serviços, a adoção de incentivos fiscais para promover a economia circular e iniciativas urbanas inspiradas em soluções baseadas na natureza.
É fundamental também que a indústria e os serviços se integrem às atividades de conservação e distribuam benefícios para outras áreas da Amazônia. Além disso, são cruciais investimentos em educação para incorporar a floresta à vida de quem nela vive e ao imaginário coletivo de todos os brasileiros. O Itinerários Amazônicos, programa que busca promover a Amazônia nas escolas brasileiras e oferecer formação continuada às secretarias estaduais de educação para a sua implementação, vai nessa linha.
A Zona Franca de Manaus, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), é outro exemplo com potencial de fortalecer a economia local com ênfase na geração e permanência de riqueza no território. O PPBio utiliza recursos de investimentos obrigatórios em P&D para desenvolver novos produtos e negócios associados à bioeconomia. Da mesma forma, o programa Zona Franca Verde, que isenta produtos com insumos regionais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), tem o potencial de promover a sustentabilidade empresarial na região. É fundamental que os incentivos estejam alinhados com os objetivos de conservação e aproveitamento da diversidade local.
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