André Mendonça relata denúncia contra Jorge Messias após abraço e apoio

Ministro André Mendonça é designado relator de notícia-crime contra Jorge Messias

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi oficialmente designado como relator de uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) contra o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. Messias é o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar uma vaga no STF. A distribuição do caso ocorreu nesta quarta-feira (26) e foi feita por prevenção, um mecanismo que evita o sorteio entre os ministros.

Aproximação e promessas de apoio

A designação de Mendonça para relatar a denúncia contra Messias ganha contornos políticos e religiosos após um encontro recente entre os dois. Na última sexta-feira (21), os ministros, ambos evangélicos, foram vistos abraçados durante um culto da Assembleia de Deus do Brás. Fontes de bastidores indicam que André Mendonça, que também teve passagem pela Advocacia-Geral da União, teria se comprometido a auxiliar Jorge Messias na busca por apoio entre senadores da oposição, área onde Mendonça possui trânsito político.

Denúncia foca em fraudes do INSS

A notícia-crime apresentada por Kim Kataguiri acusa Jorge Messias de crime de responsabilidade. Segundo a petição inicial, o AGU teria sido alertado sobre a **expansão nas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)** desde agosto de 2024. No entanto, o documento alega que Messias optou por não incluir seis das nove entidades previamente apontadas pela equipe técnica do próprio órgão. A denúncia levanta questionamentos sobre a atuação do AGU diante das irregularidades.

Resistência conservadora e o parecer sobre aborto

O apoio de André Mendonça a Jorge Messias ocorre em um momento de **resistência por parte de setores conservadores**. Um dos pontos de atrito é um parecer emitido por Messias contra uma vedação à técnica abortiva da assistolia fetal, estabelecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Embora o parecer da AGU não entre no mérito da questão do aborto em si, ele aponta inconstitucionalidade na regra por ter sido criada via resolução, e não por meio de lei. Essa posição gerou reações negativas, com o deputado federal Maurício Marcon (Podemos-RS) criticando o AGU, afirmando que ele “defende matar um bebê com uma agulha no coração”. Para a direita, Messias é visto como “mais petista do que evangélico”.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com André Mendonça para obter um posicionamento sobre a possibilidade de se declarar suspeito ou impedido no caso. O espaço para resposta permanece aberto.


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