André Rebouças: O Gênio Brasileiro que o Brasil Esqueceu

Um Legado de Inovação e Preconceito

O Brasil, em sua busca por se equiparar às nações desenvolvidas em ciência e pesquisa, muitas vezes se esquece de seus próprios heróis. Um desses vultos esquecidos é André Rebouças, um engenheiro e cientista cuja genialidade e dedicação ao progresso do país foram marcadas, infelizmente, pelo preconceito racial.

A Ascensão de um Intelectual Autodidata

Nascido no século XIX, Rebouças não se contentou com o conhecimento transmitido em sala de aula. Sua curiosidade insaciável e seu espírito autodidata o impulsionaram a buscar o aprimoramento profissional, especialmente na área da engenharia. Sua formação e adestramento profissional o levaram a se destacar, culminando em sua aprovação para a cátedra na Escola Politécnica em 1880, com uma tese brilhante sobre motores e receptores hidráulicos.

Durante sua carreira, Rebouças demonstrou uma prolífica capacidade de trabalho, anotando, comentando e publicando suas descobertas com um rigor impressionante. Ele não hesitava em compartilhar seu conhecimento, como ao doar instrumentos topográficos para o Maranhão ou ao colaborar na elaboração de um dicionário técnico para a área de construção civil.

Paixão pela Engenharia e Luta Nacionalista

A questão hidráulica era uma de suas grandes paixões, recebendo atenção especial em suas viagens à Europa. Mesmo enfrentando a adversidade de não ter recebido uma premiação merecida por seu desempenho acadêmico, por ser “mulato escuro”, Rebouças não se abateu.

Sua atuação profissional foi marcada pela elaboração de inúmeras perícias, exames e pareceres técnicos. Ele foi fundamental em projetos de melhorias hidráulicas, como o do dique em Montserrat, em Salvador, e o do reservatório do Morro do Pedregulho, obra que impressionou até mesmo o Imperador D. Pedro II.

Um Visionário à Frente de Seu Tempo

André Rebouças foi um verdadeiro visionário, antecipando necessidades e propondo soluções inovadoras para o Brasil. Ele defendia ardentemente a valorização profissional e a capacitação de engenheiros brasileiros, acreditando que essa era a chave para o desenvolvimento tecnológico do país. Sua influência junto ao Imperador o levou a propor projetos ambiciosos, como a estrada Paraná-Mato Grosso e o abastecimento d’água do Rio de Janeiro.

Além disso, Rebouças se preocupava com aspectos sociais, propondo a criação de cursos noturnos anexos à Escola Politécnica, fruto de sua própria experiência de ter cursado a Academia Militar por falta de recursos. Sua rotina profissional era incansável e diversificada, abrangendo desde projetos de navegação fluvial e ferroviária até estudos para a melhoria dos portos do Império.

O Brasil, sem dúvida, tem uma dívida imensa com André Rebouças. Sua história é um lembrete pungente de como o talento e a dedicação podem florescer mesmo diante das maiores adversidades, e de como o reconhecimento de nossos próprios gênios é fundamental para a construção de um futuro mais próspero e justo.


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