Advogados do Galo levantam suspeitas sobre a origem do dinheiro e a identidade dos beneficiários finais do fundo.
O Atlético Mineiro entrou em rota de colisão com o banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no aporte de R$ 300 milhões ao clube através do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Documentos obtidos pela Jovem Pan revelam que o clube mineiro acusa Vorcaro de ter mentido sobre ser o único proprietário do fundo. A alegação do Atlético é que o empresário, atualmente investigado por fraudes no Banco Master, não apresentou a estrutura completa de controle do fundo, conforme exigido pela legislação de SAFs (Sociedade Anônima do Futebol).
A polêmica se intensificou em janeiro de 2025, quando o Atlético Mineiro questionou os advogados de Vorcaro sobre os “beneficiários finais do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações”. A Lei das SAFs exige que qualquer pessoa jurídica detentora de participação igual ou superior a 5% do capital social informe quem exerce o controle ou quem é o beneficiário final. Na época, a resposta foi de que Daniel Vorcaro era o único dono, com a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliário, empresa investigada pela Polícia Federal, administrando o fundo.
Investigação sobre fundos e lavagem de dinheiro levanta bandeiras vermelhas
O montante de R$ 300 milhões foi investido entre 2023 e 2024, sendo R$ 100 milhões no primeiro ano e R$ 200 milhões no segundo, o que garantiu a Daniel Vorcaro 26,88% da Galo Holding S.A. No entanto, em outubro de 2025, após a divulgação da Operação Carbono Oculto e de notícias que apontavam que o Galo Forte seria controlado por fundos com suposto envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro, o Atlético Mineiro exigiu explicações detalhadas em 48 horas sobre a origem do investimento e os verdadeiros donos.
A defesa do clube solicitou informações sobre “os cotistas do Galo Forte e, caso existam fundos cotistas para além do Sr. Vorcaro que sejam prestadas informações também sobre esses outros fundos”. O Atlético Mineiro chegou a consultar o site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e constatou que a informação de que Vorcaro era o único beneficiário estava incorreta. A consulta revelou que o fundo possuía dois subscritores: uma pessoa física, com 79,49% das ações, e outro fundo de investimento, com 20,51%.
Atlético-MG se distancia e aguarda desdobramentos, enquanto Vorcaro está preso
Em nota oficial em 16 de janeiro, o Atlético-MG declarou que o Galo Forte é “um veículo de investimento devidamente constituído e regular” e que o clube “não participa da gestão do fundo, tampouco tem ingerência sobre sua estrutura, cotistas ou operações financeiras”. O clube também ressaltou que Daniel Vorcaro foi afastado do Conselho de Administração da SAF no mês anterior, não exercendo mais nenhuma função na diretoria. A Jovem Pan buscou contato com a defesa de Vorcaro, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encontra-se preso em Brasília. Ele foi detido em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero e, posteriormente, transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde ficará isolado por 20 dias. A transferência atendeu a um pedido da Polícia Federal, fundamentado na necessidade de garantir a integridade física do investigado, conforme decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
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