Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

Transformar para Reconstruir é tema do Festival Movirio

Com o lema Transformar para Reconstruir em todas as atividades artísticas, o Festival Movirio, considerado um dos mais importantes eventos de dança da América Latina, lança sua quinta edição hoje (8), às 11h, durante live no Instagram. Este ano, o festival será totalmente presencial, com classificação livre, disse o idealizador e diretor-geral do evento, Carlos Fontinelle.

O Movirio foi o único festival do Brasil que promoveu apresentações presenciais de solos, duos e trios de bailarinos em 2020, no Teatro João Caetano, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Devido à pandemia de covid-19, não houve público, mas a organização manteve as apresentações de dança, para ajudar os profissionais naquele momento difícil para o setor de entretenimento. Foi adotada a versão híbrida (presencial e virtual) para as atividades.

Em 2021, foi mantido o formato híbrido, mas com um diferencial. A programação foi distribuída durante o ano, de março a outubro, em diversos pontos da cidade do Rio, como o Parque Lage, a parte externa da Casa França Brasil, entre outros locais. “A gente pensou em fazer tudo ao ar livre por causa da covid,-19, mas de uma forma muito mais ampla. Saímos do teatro para conseguir trazer mais participantes ao festival”, afirmou o diretor.

Ações inovadoras

Após dois anos de programação no formato híbrido, em 2022 o Festival Movirio é totalmente presencial. A quinta edição do evento, que já faz parte do calendário cultural da capital fluminense, se estenderá de 8 a 28 deste mês, trazendo a ideia de construção de um conjunto de ações inovadoras que intensificam a relação da dança em inúmeras atividades cênicas. “A gente está voltando como presencial, até porque precisa fomentar a cadeia artística e econômica”, destacou Fontinelle. Haverá espetáculos nacionais e estrangeiros, com ações conectadas por quatro diretrizes, que são criação artística, intercâmbio, diversidade e formação de público.

Carlos Fontinelle disse que, em média, o Movirio envolve, em cada edição, de 5 mil a 7 mil participantes em todas as atividades. Este ano, a meta é atingir de 5,5 mil a 5,7 mil bailarinos do Brasil e do exterior. Haverá espetáculos gratuitos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), e ao ar livre, na Praia do Flamengo, com o espetáculo Ecos, da Cia. Garopaba Atitude, de Santa Catarina. A preços populares, as atrações serão realizadas nos teatros João Caetano e Cesgranrio, com valores que variam entre R$ 60 e R$ 20.

Os destaques são a Mostra de Curtas e Vídeo Dança, Movie Rio, no CCBB RJ, os espetáculos Sobre as Ondas do Mar, no Teatro João Caetano, a Vivá Cia. de Dança e o internacional Só20, também no João Caetano, além da Cia. Claudio Bernardo, da Bélgica. O evento contará com residência artística, roda de negócios, espetáculo para crianças, mostras competitivas, espetáculos nacionais e internacionais, mesa de debates, audições, workshops, intervenções artísticas urbanas e programação online durante o mês de agosto. Toda a programação do Movirio pode ser conferida no site moviriofestival.com

Oceano

O diretor ressaltou que o Movirio é uma incubadora de movimentos e ideias, cuja finalidade é proporcionar interações com atividades simultâneas. Com a colaboração do Fundo de Ajuda para Artes Ibero-Americanas – Programa Iberescena, Carlos Fontinelle afirmou que este é o primeiro ano em que o Movirio “começou a atravessar o oceano”.

Além dos 17 países ibero-americanos abrangidos pelo Iberescena (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai), a 5ª edição do Movirio tem parceria também do Consulado da Bélgica, que traz a Cia.Claudio Bernardo. A ideia este ano, disse o diretor, é criar pontes por meio de conexões socioculturais e artísticas com companhias internacionais, democratizando o acesso e o intercâmbio de grandes profissionais reconhecidos mundialmente.

Quando estreou, em 2018, o festival movimentou o centro do Rio de Janeiro, com a participação de mais de 5 mil profissionais, direta e indiretamente, em suas oficinas, espetáculos, palestras e ações em prol do fomento da dança carioca, ganhando visibilidade. No ano seguinte, a convite da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio, ampliou a programação para 21 dias consecutivos, alcançando público de mais de 1 milhão de pessoas. É considerado um dos maiores festivais de dança da América Latina, pela duração e pluralidade artística.

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Maestro Felipe Prazeres assume orquestra do Theatro Municipal do Rio

O maestro Felipe Prazeres é o novo regente da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM) do Rio de Janeiro. Sua estreia será no próximo dia 12, às 19h, no Concerto Sinfônico da Série Vozes – Noite de Música Francesa, que contará com a participação de dois solistas: o spalla (primeiro músico) do naipe de violoncelos da orquestra, Marcelo Salles, e a soprano paulistana de carreira internacional, Gabriella Pace.

A abertura da Ópera Le Roy D’Ys, de Edouard Lalo, que este ano é celebrado pelos 130 anos de morte, será executada pela primeira vez no Rio de Janeiro, seguida do Concerto para Violoncelo N° 1, de Camille Saint-Saëns. A segunda parte do programa é dedicada a árias francesas, entre as quais Elle a fui, la tourterelle, de Os Contos de Hoffman, de Offenbach. O programa terá ainda outra celebração: os 180 anos de aniversário de nascimento de Massenet, com Adieu notre petite table, da ópera Manon, e fechará com Me voilà seule dans la nuit, da ópera O Pescador de Pérolas, composta por Georges Bizet.

Em entrevista à Agência Brasil, Felipe Prazeres afirmou que ficou muito feliz com o convite e que está ansioso por fazer um bom trabalho.

Ele disse ainda que a regência da orquestra do Theatro Municipal, em substituição ao maestro Ira Levin que deixou o cargo há cerca de oito meses, será, na verdade, um reencontro. Prazeres tocou na orquestra como violinista em 2000 e 2001, participando de diversas produções artísticas.

Em abril de 2022, após o início da normalização das atividades, pós pandemia de covid-19, ele regeu, pela primeira vez, a OSTM. “Eu abri a temporada do Theatro Municipal regendo. Foi no concerto de estreia da temporada e não imaginei que fosse receber esse convite alguns meses depois, apesar de ter acontecido um flerte entre mim e a orquestra. Eu estava na lista de maestros que a orquestra gostaria que estivesse lá”.

Com o nome sugerido pelos próprios músicos, Prazeres disse que se sente à vontade na nova função. “A orquestra quis que eu viesse. Isso é fundamental, porque eu sou músico de orquestra, transito nesses dois lugares. Sei muito o que músicos de orquestra passam, das demandas que uma orquestra precisa. Então, de certa forma, acho legítimo ter o respaldo dos músicos para poder assumir a orquestra”.

Para a presidente da Fundação Teatro Municipal, Clara Paulino, Felipe Prazeres é recebido com alegria na equipe. “O maestro que já atuou em concertos no Theatro irá somar seu conhecimento aos demais membros da OSTM e, com certeza, ofereceremos um trabalho de grande excelência ao nosso público”, comemorou Clara. O diretor artístico do Theatro, Eric Herrero, disse estar muito feliz com a chegada do maestro. “Músico de excelência, que contribuirá enormemente com o Theatro Municipal e nossa temporada.”

Felipe Prazeres é ainda diretor artístico e cofundador da orquestra Johann Sebastian Rio, principal orquestra de câmara do Rio de Janeiro, e atua como spalla da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também rege concertos desde 2013. Na função de regente, esteve à frente de orquestras como a World Youth Symphony, na Itália, Orquestra Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica da Bahia, Orquestra Sinfônica da UFRJ, Orquestra Sinfônica Nacional (OSN-UFF) e Camerata Sesi.

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Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro prorroga inscrições

A 17ª Edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro já recebeu, até o dia 2, a inscrição de 535 filmes de cineastas brasileiros, a maioria de curta metragem. O festival acontecerá na Paraíba, no período de 1º a 7 de dezembro. Devido a várias solicitações de produtores e realizadores, a organização do Fest Aruanda decidiu prorrogar as inscrições até o próximo dia 27. Quem quiser ainda pode se inscrever na plataforma especial do festival, no site oficial do evento.

O produtor-executivo do festival, Lúcio Vilar, disse à Agência Brasil que a expectativa é se aproximar, este ano, de 700 trabalhos inscritos. Em 2022, o festival volta a ser 100% presencial e acontecerá no Cinépolis, no Manaíra Shopping, em João Pessoa, com convites distribuídos gratuitamente uma hora antes de cada sessão.

“O festival oferecerá, durante uma semana, sessões de graça para o público, visando a democratização”, disse Vilar.

Homenagens

Este ano, o Aruanda terá homenageados pós-morte, que são o jornalista, poeta, crítico e cineasta paraibano Jurandir Moura, morto prematuramente em 1980, aos 40 anos de idade, em um acidente de carro; e o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), cineasta e encenador teatral Eliezer Rolim, morto este ano de complicações da covid-19. Serão exibidos três curtas-metragens de Jurandir Moura em sessões especiais do festival.

No ano passado, o festival fez uma revisão histórica do cinema nacional, a partir da homenagem ao ator Othon Bastos. Nessa 16ª edição, o festival teve sua identidade visual inspirada no cangaceiro e no filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1964, do diretor Glauber Rocha, que eternizou a imagem de Othon Bastos.

Lúcio Vilar disse que, como todo festival, o Aruanda trabalha muito com produções contemporâneas, mas tem sempre um olhar voltado para a história do cinema brasileiro ou da cinematografia paraibana.

“O festival sempre se pauta por essa necessidade de se voltar para nossa própria história, até porque ela não foi ainda devidamente contada, principalmente a cinematografia paraibana. E o festival é sempre uma oportunidade de reavivar nomes, trajetórias, filmes e atores”, disse.

Em 2020, em função do início da crise sanitária, o festival foi realizado no formato híbrido, com apenas as sessões de abertura e encerramento presenciais. O restante, englobando debates, mesas redondas, conferências e oficinas, ocorreu virtualmente. Em 2021, o evento também foi no formato híbrido, mas com uma capacidade maior de sessões presenciais.

Novidades

Lúcio Vilar revelou que este ano a organização do Aruanda pretende trabalhar com o TikTok, aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos, a exemplo do que já está ocorrendo com outros festivais, como o Festival de Cinema de Gramado. Em parceria com a Secretaria de Educação da Paraíba, a ideia é promover um concurso para incentivar estudantes da rede pública de ensino a produzirem filmes de até 3 minutos, que possam ser editados nesse formato e concorrer a prêmios.

Outra novidade da edição 2022 é o lançamento da Plataforma AruandaPlay, criada em 2020 por causa da pandemia da covid-19, mas agora em caráter permanente.

“Pensamos que ela pode oferecer tela para quem não tem tela, o ano inteiro. O streaming é uma tendência que veio para ficar. Já não é uma tendência. É uma realidade. E essas plataformas nos salvaram do tédio completo durante a pandemia”, disse o produtor-executivo do Fest Aruanda.

A expectativa é que a plataforma AruandaPlay esteja no ar até setembro próximo, constituindo uma ferramenta adicional e ligada ao festival, com outros focos, inclusive na educação.

Mais uma vez o evento tem patrocínio master da Energisa/Usina Cultural, Cagepa-PB, PBGás e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), com chancela da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

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Gastos com internações por insuficiência cardíaca chegam a R$ 1,4 bi

A insuficiência cardíaca provocou um gasto de R$ 1,4 bilhão em hospitalizações, provocando a morte de 77.290 pessoas, no período de 2018 a 2021. Os dados fazem parte do estudo Dimensionando os impactos da insuficiência cardíaca no ambiente ocupacional brasileiro, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e pelo Serviço Social da Indústria (Firjan Sesi).

A análise sobre a enfermidade se baseou em registros do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), entre 2018 e 2021, enquanto os indicadores previdenciários da ocorrência da enfermidade sobre o trabalhador e a população brasileira se basearam em 35,9 milhões de entradas no sistema de dados da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), entre 2008 e 2021. O impacto da insuficiência cardíaca na atividade laboral foi levantado por especialistas do Centro de Inovação Sesi em Saúde Ocupacional, da Firjan Sesi.

Segundo o pesquisador Leon Nascimento, do Centro de Inovação Sesi em Saúde Ocupacional, é difícil mensurar os impactos de uma doença observando apenas os aspectos clínicos. “Quando a gente coloca em consideração os aspectos financeiros, consegue ter uma dimensão melhor do quanto essa doença está impactando a sociedade como um todo. Porque esse impacto é não só sobre o que se está dispendendo financeiramente por conta de uma doença que é crônica e tratável, dentro do contexto socioeconômico possível, mas também a gente está tirando pessoas do ambiente de trabalho que poderiam estar contribuindo com suas famílias e comunidades e, por conta da doença, estão se afastando”.

Em relação à rede de saúde, foram percebidas iniciativas boas para a agregação dessas pessoas e acompanhamento a longo prazo, Entretanto, notou-se uma dificuldade grande para a interiorização de acesso aos serviços de saúde especializados. Isso se explica, em parte, porque a maioria dos cardiologistas está instalada nas capitais e estados do eixo Sul/Sudeste, enquanto as regiões Norte, Nordeste e, inclusive, o Centro-Oeste ficam menos assistidas, disse Nascimento.

Há, segundo ele, uma sobrecarga dos profissionais especializados nessas regiões, o que afeta os indicadores de mortalidade, internações e custo das internações. “No fim das contas, impacta não só a pessoa que está sobre o leito, mas o sistema de saúde, que poderia estar atendendo outras demandas, e também os familiares, as empresas onde os doentes trabalham e a região onde elas vivem”.

Perdas

Considerando as avaliações de cunho financeiro, foram feitas três grandes investigações no estudo. A primeira envolveu os custos diretos: quanto se gasta em uma internação, o tempo que a pessoa fica internada e o custo médio para cada internação. A segunda análise discorreu sobre a perda financeira indireta, ou seja, durante o afastamento do trabalho, quais são os custos da empresa sem que o funcionário esteja de fato produzindo. “É uma forma de mensurar o absenteísmo da força de trabalho”, explicou o pesquisador. Por último, o estudo fez uma avaliação da produtividade baseada no Produto Interno Bruto, que é a soma dos bens e serviços produzidos no país.

Somente com benefícios temporários (auxílios doença) pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a perda da produtividade chega a R$ 2,4 bilhões por ano. Somando-se os valores dos benefícios temporários e os diferentes custos com uma nova contratação ou sobrecarga de outro profissional da equipe, o custo dos afastamentos pode chegar até R$ 6 bilhões por ano.

“A gente pegou o PIB nacional per capita (por indivíduo) e dividiu pelo número de dias por ano. O valor do PIB per capita diário foi multiplicado pelo tempo de afastamento para cada beneficiário ou pessoa afastada por conta da insuficiência cardíaca”, explicou o pesquisador.

A soma total desses valores pode chegar a R$ 6 bilhões por ano. No período de 2018 a 2021, as perdas podem alcançar até R$ 25 bilhões.

Somente as internações acumulam perdas de R$ 1,4 bilhão por ano, porque são recorrentes, longas e complexas, afirmou Nascimento destacando que foram utilizados valores das tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS), que não representam os valores de mercado, porque não consideram a inflação do período analisado.

Doença crônica

A insuficiência cardíaca é uma doença crônica e progressiva. Se identificada nos estágios iniciais, há tratamento no SUS e o paciente pode ter qualidade de vida, o que não ocorre quando a doença é diagnosticada em estágio avançado.

O impacto da insuficiência cardíaca é consideravelmente maior no sistema de seguridade social do que outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Segundo o levantamento, no intervalo de 12 anos (de 2008 a 2021), a insuficiência cardíaca provocou, em média, 152 dias de afastamento das atividades produtivas, enquanto a hipertensão e o diabetes ocasionaram um período bem menor, de 12 dias e 9 dias, respectivamente.

A insuficiência cardíaca atinge mais de 2 milhões de pessoas no Brasil. Ela se caracteriza por uma progressiva perda da capacidade do coração de bombear sangue. Se não for tratada, pode levar à incapacidade a longo prazo, além de comorbidades, altas taxas de internações e redução global da expectativa de vida.

O estudo enfatiza, ainda, que a insuficiência cardíaca se mantém como uma patologia grave no país, com sobrevida de apenas 35%, após cinco anos de diagnóstico. O resultado são elevados índices de mortalidade, gerados pela re hospitalização e má adesão à terapêutica básica do tratamento.

Impacto sobre salário

O estudo investigou o impacto sobre o salário médio do trabalhador nas 27 capitais brasileiras. Considerando que o doente tivesse que arcar mensalmente com todos os custos, ganhando o salário médio da região, apurou-se que esse impacto varia do mínimo de 15,84%, em São Paulo, ao máximo de 20,14%, no Ceará.

“É um valor bem grande, tendo em vista o salário médio das pessoas de R$ 1,6 mil”, ponderou Leon Nascimento. O cálculo leva em conta impostos que incidem diferentemente em diferentes estados.

O impacto é menor em São Paulo, onde a renda média do estado é maior e a carga tributária que incide sobre medicamentos é menor. Já no Ceará, ocorre o oposto. “É uma carga tributária alta sobre os medicamentos e a renda média estadual é menor”.

A pesquisa nacional incluiu todas as classes de trabalhadores e abrangeu todas as regiões, estados e municípios brasileiros. Seus resultados deverão ser apresentados, na próxima semana, ao ministro da Saúde, em Brasília.

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Série Mundo, da OSB, homenageia Portugal

A Série Mundo 2022, da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), criada em parceria com embaixadas para apresentar ao público brasileiro um pouco da cultura musical dos diversos países, homenageia Portugal hoje (27) à noite, a partir das 19h, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, depois de celebrar o Azerbaijão e a Espanha.

O coordenador Artístico da OSB, Nikolay Sapoundjiev, destacou o apoio da Embaixada de Portugal, que ofereceu à orquestra a vinda de dois grandes artistas lusos, o maestro Pedro Carneiro e o pianista Bernardo Santos. A realização da Série Mundo conta com o patrocínio do Bradesco.

O programa traz uma série de obras dos compositores Hermeto Pascoal, Viet Cuong, Camille Saint-Saëns e Berta Alves de Sousa.

Inventividade

A obra do compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal sempre encontra novas maneiras de abordar a criação musical, seja pelos instrumentos inusitados, seja pelas curiosas linhas melódicas exploradas no seu vasto repertório, informou a OSB, por meio de sua assessoria de imprensa. A peça que abre o programa, Entrando pelos canos é, segundo a orquestra, um exemplo primoroso dessa constante experimentação. A composição foi escrita para uma instrumentação peculiar: canos, que são tocados de forma percussiva. E a percussão segue em destaque na segunda peça do programa.

A instigante Re(new)al, do compositor vietnamita americano Viet Cuong, é construída a partir de três movimentos contínuos, cada um inspirado no poder das energias hídrica, eólica e solar. O primeiro movimento transforma copos de cristal afinados em sinos de mão, enquanto o conjunto de sopros lentamente submerge o som dos solistas. No movimento central, solistas são transformados em pás de uma turbina eólica vertiginosa, tocando desafiadores padrões rítmicos. O movimento final simula o nascer do sol e evoca o brilho da luz do sol com instrumentos de percussão.

Cantiga Alentejana

Da compositora, pianista e maestrina portuguesa Berta Alves de Sousa, será tocada por Bernardo Santos a peça Variações sobre uma Cantiga Alentejana, que contará com a participação de duas integrantes da OSB, a spalla Priscila Rato e a violoncelista Emilia Valova. Berta é considerada de fundamental importância para a música portuguesa do século 20. Aluna do pianista e professor alemão Wilhelm Backhaus, falecido na Áustria em 5 de julho de 1969, Berta foi a primeira mulher a reger a Orquestra Sinfônica do Porto.

A admiração de Camille Saint-Saëns por Portugal é atestada não apenas pelas várias visitas que o compositor empreendeu ao país, mas também pela sua composição Uma noite em Lisboa, barcarola orquestral escrita e estreada em solo português. Apesar disso, foi no Egito que o francês buscou inspiração para escrever aquele que seria seu último concerto para piano, o de número cinco, em Fá maior, Op. 103, englobando três movimentos: Allegro animato, Andante e Molto allegro. Esse concerto será tocado também pelo pianista português Bernardo Santos.

Nikolay Sapoundjiev informou que, ainda neste ano, os concertos da Série Mundo da OSB vão homenagear a Alemanha, a Argentina e a França.

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Operação coíbe crime ambiental em reserva marinha de Arraial do Cabo

A Polícia Federal e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apreenderam uma embarcação que pescava com apetrechos proibidos – um espinhel de 8 milhas – na Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo.

Juntamente com a embarcação e o itens de pesca, foram apreendidos 100 kg de pescado. A Operação Garoupa ocorreu entre os dias 16 e 20 deste mês, com objetivo de coibir crimes ambientais na reserva.

O responsável foi autuado e responderá administrativa e criminalmente pela infração cometida. Além disso, terá de pagar multa no valor de R$ 7,4 mil.

O espinhel consiste em um aparelho de pesca que funciona de forma passiva, com a utilização de iscas para a atração dos peixes, sendo as mais usadas a sardinha, cavalinha e lula. O espinhel é formado pela linha principal (linha madre), linhas secundárias (alças) e anzóis.

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Fórum no Rio de Janeiro debate Plano Estadual de Museus


Após dois anos de pandemia, as direções dos museus fluminenses se reúnem presencialmente para discutir ferramentas para aumentar a visitação nos 350 espaços do estado, no Fórum Estadual de Museus, que começou hoje (9) e vai até amanhã (10), no auditório do Museu de Arte do Rio (MAR).

A superintendente de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj), Lucienne Figueiredo, disse à Agência Brasil que para atrair maior número de público para os museus fluminenses é preciso, primeiro, potencializar os museus.

“Para aumentar a visitação, você precisa também ter atividades, uma programação atrativa, equipes treinadas, investimentos”. Defendeu ainda a requalificação ou reforma dos museus. “Uma repaginada na instituição. Isso é importante: investimento nos museus”. Luciene quer ampliar também o número de parceiros privados, por meio de editais.

O fórum discute o Plano Estadual de Museus e apresenta iniciativas e parceiros vinculados aos oito eixos da política pública estadual, que incluem, além da Preservação e Democratização de Memórias e Acervos, a Formação e Capacitação; Economia dos Museus; Gestão Museal; Difusão e Comunicação; Educação, Pesquisa e Produção de Conhecimento; Redes; e Sistemas.

Treinamento

A superintende explicou que o Plano Estadual de Museus funciona como uma cartilha para os equipamentos. “Tudo que a gente pensa para os museus está ali: potencializar as equipes, articular as redes de parcerias, preservação dos acervos, modernização dos museus. Na verdade, a gente não precisa, neste momento, inventar nada de novo. A gente quer garantir que o nosso plano setorial seja realmente executado para enfrentar um ano de mudança de governo. E a gente precisa dar continuidade ao que foi pactuado no campo da museologia nos fóruns anteriores”.

O Rio de Janeiro conta com 350 museus espalhados pelos 92 municípios do estado, incluindo os museus comunitários. A superintendente disse que até aqueles que estão bem fisicamente gostariam de renovar as exposições, fazer uma reserva técnica mais atualizada, “assim como qualquer edificação precisa de manutenção e atualização e recursos de profissional da área”.

Mapeamento

A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, disse que a intenção, a partir das discussões, é mapear as linhas de ações dos museus no estado. Segundo ela, o objetivo do fórum será apresentar e reavaliar, com base na Política Estadual de Museus, programas, projetos e ações que os museus fluminenses vêm desenvolvendo em suas instituições nos últimos anos, em especial para atualizar informações devido à falta de encontros presenciais em função da pandemia.

“Nesse ano, especificamente, vamos revisitar o plano setorial através das iniciativas de instituições de referência, incluindo entidades e grupos do interior e locais periféricos, para debater o assunto. A partir desta programação, vamos mapear as linhas de ações dos museus no estado. Nesse ano, especificamente, vamos revisitar o plano setorial através das iniciativas de instituições de referência, incluindo entidades e grupos do interior e locais periféricos, para debater o assunto”.

O fórum está sendo transmitido pelo canal do Youtube do programa de pós-graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).



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Cia da Tribo leva ao Rio de Janeiro o espetáculo teatral Água Doce

Três apresentações gratuitas do premiado espetáculo teatral Água Doce vão levar ao público conhecimentos sobre os rios brasileiros e o meio ambiente. Criada em 2018 pela Cia da Tribo, a peça entra em cartaz pela primeira vez no Rio de Janeiro, e faz alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no próximo dia 5.

As exibições estão programadas para os dias 10, às 10h, na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre, zona norte da cidade; dia 11, às 17h e 19h, na Arena Carioca Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, zona norte do Rio; e no dia 12, às 12h30 e 14h30, no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, região central da capital.

A classificação é livre e a distribuição de senhas ocorrerá uma hora antes do início da apresentação, que está sujeito à lotação dos espaços.

Cia da Tribo

A diretora da Cia da Tribo, Milene Perez, professora de teatro, informou à Agência Brasil que a companhia trabalha há 26 anos com crianças, acumulando, até o momento, um repertório de dez espetáculos ativos que têm ligação forte com a cultura popular.

A peça Água Doce surgiu de um trabalho de escuta que Milene fazia com alunos de teatro em um parque. Durante esse trabalho, uma das crianças disse estar ouvindo o som de água. Milene confirmou que o som vinha de um rio que passava embaixo do local. Ao levantarem a tampa do bueiro, aconteceu uma reflexão muito forte e a percepção de como as crianças veem os rios nas grandes cidades. “Como uma coisa que fede e que causa enchentes, por exemplo”, disse Milene.

Ela levou a conversa tida com os alunos para o grupo teatral e decidiram em conjunto elaborar uma história que tratasse dos rios. Para isso, estudaram a retificação dos rios ocorrida em São Paulo e que aconteceu em todo o país, em vez de se buscar o fortalecimento dos transportes ferroviário e fluvial, inclusive, dando preferência ao transporte rodoviário. “E os rios que serpenteavam as cidades atrapalhavam”, comentou.

Sensibilização

A questão foi trabalhada então, não de forma didática, mas lúdica, de modo a sensibilizar as crianças, seus pais e demais pessoas que assistissem o espetáculo. A companhia decidiu que uma forma de fazer isso seria através de bonecos grandes, feitos com materiais reutilizáveis. A encenação é feita na rua. O palco montado tem um rio que passa no meio e o público fica sentado dos dois lados, como se estivesse nas margens do rio, e acaba fazendo parte da história.

espetáculo gratuito

Divulgação Água Doce

O espetáculo Água Doce parte da lenda da Iara como pretexto para desenvolver a questão dos rios. Iara vive exilada na pororoca, que é o encontro das correntes de um rio com as águas do oceano. Ela observa como a inveja e a ganância podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

A peça utiliza figuras do folclore para conscientizar as pessoas sobre a importância dos rios que circulam por todo o Brasil e, muitas das vezes, se encontram abaixo dos nossos pés, tamponados ou encanados durante um processo de urbanização desenfreada. O diretor de teatro e ator Wanderley Piras, que assina o texto com Milene, explicou que o uso da linguagem poética possibilita ao público entender por conta própria as questões que estão sendo tratadas.

Os bonecos representam figuras folclóricas como Cabeça de Cuia, Jaguarão, Pirarucu e Cobra Grande, e foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco. Como eles chamam muito a atenção dos espectadores, a companhia os deixa expostos depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre, informou Milene.

Ferramenta

O diretor de teatro lembrou que a água é o nosso principal recurso natural, essencial para existência da vida na Terra. Mas desastres ecológicos recentes, como o rompimento da barragem de Brumadinho, que contaminou o Rio Paraopeba; ou o derramamento de petróleo no Oceano Atlântico, danificando todo o ecossistema marinho do litoral nordestino e avançando para os rios e mangues, ratificam a necessidade de se falar sobre isso para o público em geral. A Cia da Tribo acredita que o teatro pode trazer à tona discussões importantes, como a conscientização e a preservação ambiental.

Para a diretora do grupo, o teatro é uma ferramenta para a preservação dos recursos naturais. “A experiência que a gente propõe com o teatro passa por uma expressão estética que te movimenta, te faz questionar, te sensibiliza, te faz ter um olhar para uma coisa que, talvez, no dia a dia, você passa e nem olha. Aí, depois que você tem uma vivência como essa, isso de alguma forma está tocando a tua sensibilidade, o teu olhar, e você não vai mais passar por um rio sem olhar para ele, sem pensar nele. Acho que essa é a função do teatro”. A ideia é dar voz aos rios. A gente dá voz aos rios e as pessoas da cidade se emocionam. É muito legal!, afirmou.

O espetáculo Água Doce conquistou vários prêmios, entre os quais o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo de Rua e o Prêmio SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade. Foi indicado também ao 7º Prêmio Aplauso Brasil, na categoria Melhor Espetáculo Para o Público Infantil e Jovem. Somente no estado de São Paulo foram feitas apresentações da peça em 80 parques. Milene Perez disse que a ideia, se a Cia da Tribo tiver patrocínio, é levar o espetáculo para todo o país.

As apresentações da peça Água Doce são patrocinadas pelo braço social do grupo Tigre (ICRH), por intermédio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Cia da Tribo

O grupo paulista fundado pelos artistas Milene Perez e Wanderley Piras iniciou seu trabalho de pesquisa em cultura popular em 1996. Sua linguagem cênica foi desenvolvida por meio do estudo de tradições populares, personalidades e corporeidades brasileiras. Histórias, músicas, danças e bonecos criados pelo povo em diversas regiões do país são investigados, apreendidos, recriados e trazidos à cena, construindo assim, uma teatralidade brasileira.

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Brasil tem 3,4 mil pontos de descarte de eletrônicos para reciclagem

O Brasil tem 3,4 mil pontos de recebimento de produtos eletrônicos para reciclagem. Esses pontos viabilizam a logística reversa e a destinação ambientalmente correta dos equipamentos já sem uso e estão presentes em todos os estados brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree). Também já há 21 centrais de logística reversa em capitais, com a cobertura para mais de 1,5 mil municípios.

A regulamentação para reciclagem e logística reversa do setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos foi publicada há dois anos, com o Decreto 10.240, o que impulsionou o processo no Brasil, segundo o presidente da Abree, Sergio de Carvalho Mauricio.

De acordo com ele, a logística reversa começa a partir da decisão consciente do consumidor, cujo produto eletroeletrônico ou eletrodoméstico não tem mais serventia, de descartar o equipamento em um local adequado. “É aí que começa o processo da logística reversa, com essa atitude do consumidor final de descartar de maneira responsável, permitindo que esse produto possa seguir o caminho da reciclagem”, disse Mauricio.

Reinserção na cadeia

A Abree se encarrega de efetuar a remoção dos equipamentos descartados nos pontos de recebimento, transportando-os até os recicladores ou empresas de manufatura reversa. “São aquelas que vão pegar o eletroeletrônico, proceder à sua desmontagem de maneira responsável, tanto do ponto de vista ambiental como trabalhista, e garantindo que isso não vai oferecer risco para o meio ambiente nem para os trabalhadores”, explica Mauricio.

“Todos os materiais (metais, plásticos, vidros) que compõem o eletroeletrônico acabam sendo separados, segregados, picados e se tornam matéria-prima para que possam ser reinseridos no processo produtivo”, completa.

Esse processo, segundo o presidente da Abree, traz grande benefício para a sociedade como um todo. “Primeiro, porque a gente evita que materiais tenham uma destinação que sejam lixões, aterros sanitários ou, pior ainda, que vão parar nas praias, rios, terrenos baldios. Outro benefício trazido pela reciclagem e logística reversa para o meio ambiente é que, quando essas matérias-primas são reaproveitadas em uma cadeia produtiva, os fabricantes deixam de comprar matérias-primas virgens que, muitas vezes, são recursos não renováveis e, de certa forma, acabam comprometendo, ou podem vir a comprometer, o meio ambiente”.

Na avaliação de Mauricio, essa cadeia da logística reversa tem outro ponto positivo que é a movimentação de pessoas, desde catadores, cooperativas, que fazem a coleta desses materiais, transportadores e, por fim, as pessoas que trabalham nessa logística reversa, gerando empregos e renda.

A Abree é uma entidade sem fins lucrativos, mantida por 54 empresas fabricantes e importadoras do setor de eletroeletrônicos. Além do esforço de catadores, cooperativas, varejistas e transportadoras, o presidente da Abree observou que é necessário também que haja conscientização do consumidor final sobre a importância do descarte ambientalmente correto.

Coleta

Central de Logística Reversa de Eletroeletrônicos, em Realengo, na zona oeste.

Central de Logística Reversa de Eletroeletrônicos, em Realengo, na zona oeste. – Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 2021, primeiro ano de implantação do sistema de logística reversa no setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, a Abree coletou 1,245 milhão de quilos de equipamentos no país.

“Todos esses produtos são destinados de maneira ambientalmente correta, com certificados de destinação final por empresas registradas nos órgãos ambientais.”

Para 2022, a intenção é aumentar esse número e enfrentar um outro desafio: o trabalho de conscientização do cidadão brasileiro.

A associação tem feito pesquisas em conjunto com universidades para entender o comportamento do consumidor em relação à destinação final de eletroeletrônicos.

Segundo Mauricio, o brasileiro sabe da existência da reciclagem, mas não atua em favor dela.

“Se cada um, mídia, associações, fabricantes de produtos, comerciantes, puder levar um pouco mais de informação e conscientização para o consumidor, eu acho que, em conjunto, nós conseguimos acelerar essa mudança de coletar que, com certeza, vai deixar o país muito melhor para as próximas gerações”, destaca Mauricio.

Fundada em 2011, a Abree tem o intuito de definir e realizar a gestão da logística reversa de produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos pós-consumo no Brasil, garantindo a destinação final adequada. A associação é responsável pela contratação, fiscalização e auditoria dos serviços prestados por terceiros, para a implementação de sistemas coletivos de logística reversa.

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Projeto da UFRJ quer solução sustentável para lixo flutuante no Fundão

O projeto Orla Sem Lixo, da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está buscando uma solução sustentável para o lixo flutuante encontrado nas águas da Ilha do Fundão. “Gostaríamos muito de acreditar em soluções procedentes da bacia, de onde vem o lixo para a Baía de Guanabara e outras baías. Porém, não vemos que isso venha a acontecer em relativo curto prazo”, disse à Agência Brasil a coordenadora do projeto e professora da UFRJ, Susana Vinzon. Por isso, ela acredita que a interceptação, coleta, o transporte e a reciclagem do lixo podem ser soluções efetivas, na medida em que traga benefícios para a comunidade do entorno. “É isso que a gente está buscando com o projeto”.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), diariamente mais de 90 toneladas de resíduos, a maioria plásticos, são despejadas na Baía de Guanabara. Além do impacto negativo que isso provoca em um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, a presença desses resíduos compromete as atividades pesqueiras, os esportes náuticos e o desenvolvimento costeiro; representa um perigo à navegação e ao tráfego aéreo; e interfere no crescimento e na saúde dos manguezais, afetando a vida marinha e sua diversidade, afirmam os responsáveis pelo projeto.

Conscientização

O Orla Sem Lixo promove no próximo dia 5, às 9h, na Prainha, na Ilha do Fundão, ação de conscientização para a reciclagem, com a participação de 15 alunos de iniciação científica da universidade, envolvendo as áreas de biologia, microbiologia, química, psicologia, economia, oceanografia, entre outras, que transmitirão seus conhecimentos para a comunidade local. Os melhores comunicadores serão premiados.

A UFRJ está concluindo o projeto Parque da Orla para a requalificação do local. Durante o evento na Prainha, será feita uma pequena coleta de lixo, com o objetivo de chamar a atenção da população sobre o problema e para efeito de reciclagem, a fim de fazer ensaios de pirólise (decomposição por meio do calor.), por exemplo. Esse é um processo onde a matéria é decomposta após ser submetida a condições de altas temperaturas. “O que você faz é recuperar o petróleo de que é feito o plástico. Você vai gerar, a partir desse plástico, uma espécie de petróleo cru que pode, talvez, voltar para a própria cadeia do plástico. A gente está levantando bandeira da economia circular, das soluções baseadas na natureza”. Tudo isso é necessário para a construção de soluções para o problema do lixo flutuante na Baía de Guanabara e em outras baías, comentou Suzana Vinzon.

Em princípio, essa tecnologia está sendo testada. Susana não descartou, porém, que empresas possam vir a abraçar a ideia e querer levá-la adiante. No momento, a UFRJ tem uma planta de pirólise experimental, na Ilha do Fundão, que está fazendo os testes.

Parcerias

Até o momento, o Orla Sem Lixo conta com a parceria da empresa alemã Huesker, que vai fabricar material para as barreiras flutuantes a serem colocadas na Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, até o fim deste ano. As barreiras terão de ser abertas para as embarcações poderem passar. Até dezembro, Susana espera já ter alguns ensaios “de como a coisa pode funcionar”, porque é preciso, em primeiro lugar, construir uma tecnologia com os pescadores para fazer a coleta de lixo na água, transportando a seguir para um local de desembarque. “Esse desenvolvimento vai ocorrer este ano”.

O projeto tem o apoio de editais do Parque Tecnológico da UFRJ, da Fundação Grupo Boticário e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Susana advertiu, entretanto, que para ganhar escala e poder remunerar os pescadores, serão necessários mais recursos.

No momento, a equipe multidisciplinar integrada por mais de 70 pessoas, entre professores, alunos de graduação, mestrado, doutorado e iniciação científica da UFRJ, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), se dedica a encontrar soluções para o problema. “Para isso, estamos observando as comunidades de pesca que habitam a Baía de Guanabara, que é afetada pela quantidade de lixo que há nesses corpos d’água, resultando na falta de peixe, em problemas com redes, com motores das embarcações”.

Susana lembrou que são comunidades muito afetadas e que podem se interessar em participar de uma cadeia produtiva desse lixo flutuante. Ela explicou que o lixo flutuante é constituído, em sua grande maioria, por plástico, que tem algumas alternativas, entre as quais a reciclagem química, um dos processos em que o projeto está mais focado. A ideia é que, com o processo da pirólise se obtenha valor agregado maior desse material que vem contaminado e degradado e que, para a reciclagem tradicional, não encontra mercado. Essa é uma das linhas de ação do projeto: ver que tipo de reciclagem poderia dar um retorno econômico para pagar essa cadeia produtiva, criando um modelo de geração de trabalho e renda.

Recuperação ambiental

Ao mesmo tempo, o Orla Sem Lixo tem foco na recuperação ambiental da orla da Ilha do Fundão, que está muito degradada pelo lixo flutuante. “A gente vai desenvolver um projeto, em um dos ambientes próximos da Cidade Universitária, para testar o conceito, onde participam os pescadores sediados na Ilha do Fundão. Mas nada impede de abrir para outras comunidades”. Outra fonte de renda para que essa solução seja sustentável é a própria preservação das áreas de costa. Daí a importância de entender os ecossistemas para que quando houver “um ambiente saudável, pelo menos sem lixo, você possa pensar em alguma recuperação”, disse a coordenadora.

Desde que foi lançado, em setembro do ano passado, o projeto avançou muito na interdisciplinaridade, porque vai proteger área de manguezal. A ideia é ver, após a instalação das barreiras e da limpeza do local, como ele se recupera. “Estamos monitorando hoje a floresta de manguezal, mas também os caranguejos que ali vivem, para ver os impactos, para quando colocar as barreiras e recuperar o ambiente, poder medir o impacto do lixo”. O projeto deve ser concluído em três anos. A ideia é, nesse prazo, ter a praia da Ilha do Fundão recuperada.

O trabalho acontece na Enseada de Bom Jesus e foi organizado em frentes que monitoram áreas de manguezal e as comunidades de caranguejo; analisam a condição atual da qualidade da água e do sedimento; levantam as condições ambientais (ventos, ondas e correntes) onde estão sendo instaladas as barreiras do lixo flutuante; colocam mostradores para quantificar o lixo em diferentes profundidades da baía. Plataformas remotas, drones, metodologias de detecção automática e inteligência artificial são algumas das tecnologias utilizadas pelos pesquisadores.

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