Um nome que merece ser lembrado
Em um país que, por vezes, parece desmemoriado de seus grandes vultos, a figura do **Barão Geraldo de Resende**, cujo nome completo era Geraldo Ribeiro de Sousa Resende, surge como um exemplo de protagonismo tupiniquim que corre o risco de ser esquecido. Em sua época, ele foi reconhecido como o **maior e mais completo propagandista da cultura cafeeira** e das ricas qualidades de nossas terras.
Um legado de nobreza e inovação
Nascido em uma família de prestígio, o Barão era filho do Conde, posteriormente Marquês de Valença, Estevão Ribeiro de Resende, um homem de vasta cultura e com formação pela Universidade de Coimbra. Geraldo, embora não tenha se formado em Direito, demonstrou uma **atração singular pela terra e pela vida agrícola**. Sua fazenda, **Santa Genebra**, com impressionantes 1.250 alqueires paulistas (cerca de 2.500 hectares), tornou-se um local de **visitação obrigatória para comitivas estrangeiras**, recomendadas pelo próprio Imperador Dom Pedro II para conhecer a experiência cafeeira.
O Barão transformou Santa Genebra. Abandonou a cultura da cana-de-açúcar, que antes predominava, e expandiu o cultivo de café. Sua visão inovadora o levou a introduzir a **adubação química** e, por volta de 1870, seus quinhentos mil cafeeiros já eram motivo de admiração geral. Além do cultivo esmerado, investiu na construção de **casas novas para os colonos e moradias amplas para a escravaria**, incorporando **máquinas e métodos modernos** à produção.
Cidadão atuante e visionário
A fazenda Santa Genebra não era apenas um centro de produção, mas um ambiente de **requinte e civilidade**. A baronesa, filha do Conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira, possuía uma educação igualmente meticulosa. Mesmo antes da Abolição da escravatura, o Barão já havia introduzido o **trabalho livre em sua propriedade**, recebendo colônias estrangeiras. Os colonos, por sua vez, preferiam sua fazenda devido ao **trato civilizado e ao estímulo cordial** para alcançar autonomia econômica e social.
Geraldo de Resende também foi um **cidadão atuante em Campinas**. Contribuiu para a fundação da Companhia de Águas e Esgotos, antecipando-se a um problema que o Brasil enfrenta até hoje, o **saneamento básico adequado**. Em parceria com outros nomes importantes, construiu a Estrada de Ferro Funilense, que serviu de base para o Núcleo Colonial Campos Sales, de onde derivou o município de Cosmópolis.
Reconhecimento e legado duradouro
A importância do Barão Geraldo de Resende era tamanha que figuras como Campos Sales, presidente paulista e depois da República, recomendavam aos visitantes ilustres que conhecessem Santa Genebra. Sales descrevia o Barão como seu “pára-raio”, capaz de **”embasbacar os visitantes com a fazenda e encantar com o trato fidalgo”**. Essas visitas, custeadas pelo próprio anfitrião, demonstram a generosidade e o orgulho que o Barão sentia de seu trabalho e de sua terra, um **verdadeiro patriota** cujo legado merece ser perpetuado.
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