Barbeiro Autista com Método ABA: Uma Nova Realidade para Famílias na Paraíba
Em Santa Rita, na Paraíba, um barbeiro está revolucionando a forma como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) lidam com os cortes de cabelo. Henry Ferreira, pai de Roberto, um menino de 6 anos diagnosticado com TEA, transformou sua experiência pessoal em uma profissão acolhedora e especializada. Há cerca de seis meses, Henry dedica-se exclusivamente à barbearia infantil inclusiva, utilizando a **Análise do Comportamento Aplicada (ABA)** como pilar de seu atendimento.
Da Logística à Inclusão: A Jornada de Henry Ferreira
Antes de se tornar um barbeiro para autistas, Henry trabalhava no setor de logística. A decisão de mudar de carreira surgiu da necessidade de encontrar um ambiente que não causasse sofrimento ao seu filho em salões tradicionais. “Eu vejo que hoje ajudo muitas famílias. Me sinto realizado, de uma forma que nunca fui em nenhum outro trabalho. Hoje, as crianças choram para não ir embora”, relata Henry, evidenciando a transformação positiva que sua iniciativa proporciona.
Para oferecer um serviço de excelência, Henry investiu em formação em ABA, uma metodologia comprovadamente eficaz no acompanhamento de pessoas com autismo. Essa especialização permitiu que ele adaptasse o ambiente e a condução dos cortes de cabelo de maneira individualizada, respeitando o tempo e os limites de cada criança. “A partir do momento que consegui ajudar ele, eu comecei a ajudar outras crianças. Hoje tenho muitas crianças do espectro autista que vinham de traumas passados e hoje elas conseguem cortar o cabelo com paz e tranquilidade”, afirma Henry.
Um Espaço de Cuidado, Empatia e Inclusão
O salão, localizado no bairro Tibiri 2, funciona exclusivamente por agendamento, com sessões que duram em média de 40 minutos a uma hora. O custo por corte é de R$ 40, e o espaço atende até oito crianças ou adolescentes por dia, com ou sem diagnóstico. A importância de um local adaptado é ressaltada por pais que já vivenciaram experiências traumáticas em barbearias convencionais.
Fabíola, mãe de Adrian, de 4 anos, conta que seu filho acumulou traumas antes de conhecer o trabalho de Henry. “O conhecimento em ABA é muito importante e isso foi um diferencial para mim”, destaca. Jussara, mãe de Davi, de 2 anos, relata que cortes de cabelo só eram possíveis com contenção física e choro intenso. Agora, o processo ocorre apenas quando a criança demonstra segurança.
Além do atendimento técnico, o salão aposta em um ambiente lúdico e acolhedor. O próprio filho de Henry, Roberto, participa da recepção em períodos de férias escolares, o que contribui para um clima de maior identificação e conforto para os pequenos clientes. A iniciativa de Henry Ferreira não é apenas um serviço de barbearia, mas um marco de cuidado, inclusão e respeito às diferenças, suprindo uma necessidade crucial para muitas famílias na região.
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