Beleza fatal? Mães acusam redes sociais após suicídio de suas filhas

Conheça a história das mães que estão processando big techs após perderem suas filhas devido ao uso de filtros de beleza de redes sociais.

Duas mães nos Estados Unidos estão no centro de um caso que acende um alerta preocupante sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes. Laurie Schott e Victoria Hinks perderam suas filhas para o suicídio e acreditam que conteúdos altamente curados de beleza e os filtros usados nas plataformas digitais desempenharam um papel decisivo na tragédia. 

Entenda a história e saiba o que dizem as mães

Laurie Schott perdeu sua filha Annalee em 2020, quando ela tinha apenas 18 anos. Após a morte, a mãe encontrou o diário da jovem e descobriu que a filha lutava com sentimentos de inadequação e baixa autoestima intensificados por conteúdo visto nas redes sociais. 

“Eu estava sentada no chão do banheiro me dizendo o quanto eu me odiava. Ninguém vai me amar a menos que eu tenha a aparência certa”, escreveu Annalee em uma das entradas que Schott apresentou como prova do impacto emocional que sofreu. 

O caso de Victoria Hinks é semelhante e a mulher enfrentou uma dor similar quando sua filha de 16 anos, Alexandra, conhecida como Owl, tirou sua própria vida em 2024. Mesmo com tentativas rigorosas dos pais de controlar o acesso da filha às plataformas e limitar o uso, ela conseguiu contornar as restrições e foi exposta a conteúdos que normalizavam depressão, transtornos alimentares e padrões irreais de beleza. 

Os casos abrem discussão sobre padrões de beleza inalcançáveis nas redes

Schott e Hinks culpam os filtros e beleza das redes sociais que alteram a aparência nas fotos como um dos principais mecanismos que contribuíram para as dificuldades das filhas. 

Esses filtros, frequentemente usados em aplicativos como Instagram, Snapchat e TikTok, ajustam traços faciais e promovem um ideal de aparência muitas vezes impossível de alcançar na vida real. Para muitas adolescentes, principalmente em uma fase de formação da identidade, essa discrepância pode gerar insatisfação corporal e distorções graves da autoimagem.

Hinks relatou que a filha chegou a usar filtros tão intensos que transformavam sua aparência, fazendo com que parecesse ter passado por vários procedimentos estéticos difíceis de atingir de forma natural. “Ela usou filtros de beleza pensando que não era bonita o bastante”, disse a mãe.

As mães travam batalha judicial 

O caso dessas famílias se desenrola no âmbito de um processo movido por outra jovem, identificada como KGM no tribunal, que acusa gigantes da tecnologia como Meta e Google de projetar plataformas deliberadamente viciantes e prejudiciais para jovens. Durante as audiências, KGM afirmou que os filtros e algoritmos que priorizam conteúdo glamorizado de beleza contribuíram diretamente para o desenvolvimento de distúrbios de autoimagem.

Empresas como TikTok e Snapchat já chegaram a acordos, enquanto a Meta, dona do Instagram, nega responsabilidade exclusiva, alegando que fatores familiares ou individuais também influenciam a saúde mental dos usuários. Ainda assim, mães como Schott e Hinks veem o julgamento como um passo importante para responsabilizar as plataformas pela exposição contínua dos adolescentes a conteúdos que reforçam padrões de beleza perfeccionistas e potencialmente tóxicos.

Para as duas mães, o da moção desse processo objetivo vai além de justiça por suas perdas pessoais e elas defendem que seja criada legislação que regule de forma mais rigorosa o design das redes sociais, especialmente no que diz respeito àquelas partes de algoritmos e filtros que podem influenciar negativamente a percepção que jovens têm de si mesmos. 

Hinks afirmou que uma vitória na Justiça seria apenas “o começo” e que mudanças legais são necessárias para evitar que outras famílias passem por tragédias semelhantes.


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