A direita se arma contra si mesma, fortalecendo Lula
Em um cenário político brasileiro acentuadamente dividido, a conquista do eleitorado centrista é crucial para a vitória eleitoral. Lula, conhecido por sua habilidade em adaptar seu discurso, tem se posicionado estrategicamente para atrair esses eleitores. Diferentemente de 2018, quando Jair Bolsonaro surfou em uma onda de crise econômica e escândalos de corrupção, a conjuntura atual e futura (2026) apresenta desafios distintos para a direita.
A pesquisa Meio Ideia revela uma estratégia peculiar da família Bolsonaro. Ignorando o potencial eleitoral de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e nome com mais chances de competir com Lula em um segundo turno, o clã insiste em candidaturas com menor viabilidade, como a de Flávio Bolsonaro. Michelle Bolsonaro também aparece com remotas possibilidades.
Tarcísio, o nome desprezado pelo clã
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como o nome mais promissor dentro do grupo bolsonarista, segundo a pesquisa. Ele estaria em empate técnico com Lula em um eventual segundo turno, com 44,4% das intenções de voto contra 42,1%. No entanto, Tarcísio enfrenta pressão para declarar apoio a Flávio Bolsonaro, o que o coloca em uma posição delicada, temendo ser rotulado como “traidor” por ter sido uma escolha política do ex-presidente.
Essa dinâmica interna do bolsonarismo, marcada pelo desprezo ao nome com maior potencial eleitoral, tem sido observada com preocupação por outros líderes da direita. A estratégia, considerada por analistas como “insensata”, pode acabar pavimentando o caminho para a quarta vitória de Lula, mesmo com uma parcela significativa da população demonstrando desaprovação ao petista.
O paradoxo: Bolsonaristas como cabos eleitorais de Lula
O paradoxo é evidente: a própria família Bolsonaro, ao minar candidaturas mais competitivas e insistir em uma estratégia que afasta o centro, pode estar se tornando o maior cabo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Falta, segundo a pesquisa, “ânimo, coragem e estratégia na direita para combater o bolsonarismo”.
A população brasileira declara não desejar mais a polarização extrema, mas o vício nela persiste, mantendo o cenário restrito a um embate entre lulismo e bolsonarismo. O “aberto boicote bolsonarista” paralisa outros potenciais candidatos da direita, impedindo que se apresentem ao país como alternativas viáveis.
O futuro incerto da direita e o centro órfão
A pesquisa também aponta um cenário desfavorável para candidaturas de centro. Nomes como Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, seriam massacrados por Lula em um segundo turno, com apenas 23% das intenções de voto contra 45% do petista. Outros governadores, como Ratinho Jr. (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás), podem desempenhar um papel crucial no segundo turno, funcionando como um “apoio ao vencedor”, similar ao papel de Simone Tebet em 2022.
Enquanto isso, a figura de Jair Bolsonaro, atualmente impedido de participar ativamente da política, permanece como um elemento central, mesmo que de forma indireta, influenciando os rumos da direita e, paradoxalmente, fortalecendo o adversário.
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