Bolsonaro busca anular condenação no STF com recurso inédito e cita voto de Fux

Defesa de Bolsonaro entra com embargos infringentes no STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido de embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de reverter a condenação relacionada à trama golpista. Este tipo de recurso é conhecido por seu potencial de modificar o mérito de uma decisão judicial.

No entanto, a jurisprudência consolidada no STF estabelece que a admissão de embargos infringentes exige a existência de pelo menos dois votos contrários à condenação nas turmas de julgamento. No caso específico de Bolsonaro, apenas o ministro Luiz Fux manifestou-se pela absolvição do ex-presidente durante o julgamento na Primeira Turma.

Questionamento sobre o trânsito em julgado

Na última terça-feira, 25, o STF declarou o trânsito em julgado da ação penal contra Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes justificou que não era necessário aguardar o prazo para os embargos infringentes, uma vez que não houve dois votos pela absolvição.

A equipe de defesa de Bolsonaro classificou a decisão de trânsito em julgado como um “erro judiciário”. Apesar de reconhecerem a jurisprudência do STF sobre os embargos infringentes, os advogados destacaram que a Corte teria agido de maneira distinta em casos anteriores, como os do ex-presidente Fernando Collor de Mello e da cabeleireira Débora dos Santos.

Segundo a defesa, nesses casos, os embargos infringentes foram inicialmente apresentados e, posteriormente, rejeitados com base na jurisprudência. “Em absolutamente todos os casos citados pelo Ministro Relator Alexandre de Moraes e repetidos no acórdão, a análise se deu no âmbito dos próprios recursos que se permitiu fossem propostos”, argumentaram os advogados.

A defesa ainda acrescentou que “Chama a atenção, portanto, que apenas no presente caso a secretaria judiciária tenha se antecipado certificando o trânsito em julgado ainda no curso do prazo recursal, em contraposição a todos os casos acima citados”.

Apelo por absolvição com base no voto de Fux

No mérito do recurso, os advogados de Bolsonaro trouxeram à tona o voto do ministro Luiz Fux. Fux havia absolvido o ex-presidente de todos os cinco crimes pelos quais foi condenado, e a defesa utiliza este argumento para reforçar o pedido de absolvição no presente caso.

A estratégia da defesa busca explorar a divergência de votos e questionar a celeridade da declaração de trânsito em julgado, argumentando que a análise dos embargos infringentes deveria ter sido permitida antes da certificação final do processo.

Contexto e próximos passos

O pedido de embargos infringentes representa uma última tentativa da defesa de Bolsonaro de reverter a condenação no STF. A decisão sobre a admissibilidade e o mérito deste recurso será crucial para o futuro jurídico do ex-presidente.

Este caso se insere em um contexto de intensas discussões sobre a interpretação de recursos e a aplicação da jurisprudência no Supremo Tribunal Federal, especialmente em processos que envolvem figuras políticas de proeminência.


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