Brasil: O País do Retrocesso?

O Congresso e a “Escala 3×1”: Um Sinal de Alerta

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou a chamada escala 3×1 para servidores, um modelo de trabalho onde se trabalha três dias e folga-se um. Inicialmente, a justificativa seria o combate ao estresse e a compensação pela carga de trabalho. Contudo, a possibilidade de converter essa folga em dinheiro levanta sérias preocupações. Na prática, isso pode significar um aumento salarial considerável, ultrapassando o teto do funcionalismo público.

A forma como essa medida foi aprovada, através de voto simbólico e sem discussão aprofundada, é vista por críticos como um retrato preocupante do Brasil atual. Questiona-se de onde virá o dinheiro para cobrir esses custos adicionais, em um contexto onde o país já ostenta um dos parlamentos mais caros do mundo em relação à renda média e é um dos que mais gasta com “penduricalhos”.

Recuos em Reformas e Políticas Públicas

O que se observa, segundo analistas, é um movimento de retrocesso em diversas frentes. A reforma administrativa, que chegou a ser anunciada como prioridade, não avançou. Na Previdência, houve um recuo com a reintrodução da paridade e integralidade para agentes de saúde, além da possibilidade de aposentadoria aos 50 anos, medidas que haviam sido extintas em 2003.

Nas estatais, a flexibilização da Lei das Estatais e o engavetamento do programa de desestatização contribuíram para a mudança de um superávit de mais de R$ 6 bilhões em 2022 para um déficit superior a R$ 5 bilhões no ano seguinte. Esses fatos reforçam a percepção de que o país está se movendo na direção oposta ao progresso.

A Ausência de um Projeto de Futuro

Para alguns observadores, esse “retrocesso” não é resultado de um projeto deliberado, mas sim da ausência de um plano claro para o futuro. A prioridade parece ser a “entrega da gratuidade do dia”, ou seja, benefícios imediatos, em detrimento do enfrentamento de temas complexos que poderiam impulsionar a produtividade e o crescimento a longo prazo.

A crítica aponta para uma fórmula que se consolida: despreocupação fiscal, aumento de impostos, crescimento da dívida pública e distribuição de benefícios, que aumentam a dependência do Estado. Paralelamente, observa-se o abandono de ímpetos reformistas que trouxeram avanços em áreas como a reforma trabalhista, o Marco do Saneamento e a autonomia do Banco Central. A captura do Estado por corporações é vista como um sintoma desse cenário de falta de rumo, onde cada lobby busca sua fatia, sem que o país defina um projeto civilizatório claro entre o moderno e o arcaico.


Descubra mais sobre MNegreiros.com

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Comente a matéria:

Rolar para cima