A fragilidade das candidaturas em meio à ‘liberdade’ partidária
A política brasileira vive um momento de incertezas, especialmente no que diz respeito à estrutura dos partidos e ao lançamento de candidaturas. A postura de Gilberto Kassab, presidente do PSD, de anunciar que a sigla liberará os diretórios estaduais para definirem seus apoios, mesmo com um candidato próprio à Presidência, tem gerado debates acalorados. Essa estratégia, segundo o colunista Fernando Schüler, pode levar à chamada ‘cristianização’ da candidatura, um termo que remete ao caso de Cristiano Machado, que em 1950 se lançou pelo antigo PSD e acabou sendo abandonado pelo próprio partido no decorrer da campanha eleitoral.
A ‘cristianização’ como um fantasma na política nacional
Schüler explica que a ‘cristianização’ se tornou uma marca registrada da política brasileira, onde um candidato, mesmo pertencendo a um partido com estrutura e liderança expressivas, pode simplesmente desaparecer do cenário político. Essa situação pode se repetir com o futuro candidato do PSD à Presidência, seja ele Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior ou Eduardo Leite. A declaração de Kassab, que contradiz a própria ideia de um partido apresentar um projeto de país, levanta questionamentos sobre a coesão e o propósito da sigla.
Crise partidária e o foco no dinheiro
O colunista critica a decisão de Kassab, questionando como um partido que almeja liderar o país pode adotar uma postura de ‘cada um vota em quem quiser’. Para ele, isso descaracteriza a agremiação, transformando-a em um mero ‘aglomerado de lideranças’. Essa dinâmica, segundo Schüler, é uma consequência direta da natureza do sistema partidário brasileiro, que, em grande parte, é influenciado pelo financiamento de campanha e pela busca por grandes bancadas no Congresso, muitas vezes sem considerar um viés ideológico definido.
O futuro incerto dos candidatos do PSD
A liberação das bancadas e diretórios estaduais pode fragmentar o apoio ao candidato oficial do PSD, enfraquecendo sua campanha e aumentando o risco de uma derrota expressiva. A falta de unidade e de um projeto claro pode comprometer a eleição, deixando o candidato à mercê de alianças conjunturais e de interesses locais. A ‘cristianização’, portanto, surge como um espectro que assombra as pretensões presidenciais do PSD, evidenciando uma crise profunda na forma como os partidos se organizam e se apresentam à sociedade brasileira.
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