Câmara: Motta troca reforma administrativa por ‘trem da alegria’ de R$ 800 milhões

Promessa de reforma administrativa frustrada, Câmara aprova benefício milionário para servidores

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, prometeu uma **reforma administrativa** ambiciosa ao assumir o cargo em fevereiro do ano passado. A expectativa era entregar um marco para sua gestão, seguindo os passos de antecessores como Rodrigo Maia e o próprio Lira, que implementaram reformas previdenciária e tributária, respectivamente. No entanto, um ano depois, a **reforma administrativa** prometida não se concretizou. Em seu lugar, Lira patrocinou a aprovação de um projeto que beneficia servidores, apelidado de ‘trem da alegria’, com um custo estimado em **R$ 800 milhões**.

Gratificação milionária e isenta de impostos

O projeto aprovado concede aos servidores do chamado ‘andar de cima’ da Câmara uma gratificação que pode elevar seus salários para até **R$ 80 mil por mês**. A medida institui um sistema de licença compensatória, onde um dia de descanso é concedido a cada três dias de trabalho, com a possibilidade de receber esse período em dinheiro. Surpreendentemente, essa verba **não incide tributos**, o que significa que o valor cai integralmente no bolso do funcionário, sem a dedução de Imposto de Renda, diferentemente de outros trabalhadores.

Críticas da Economia e apoio político

A equipe econômica do governo manifestou desagrado, classificando a medida como ‘imoralidade e escárnio’ e alegando não ter sido consultada. Contudo, a aprovação do projeto contou com o **apoio dos parlamentares do governo**, que não receberam orientação para votar contra. O texto, que representa um contraste direto com o discurso de Lira sobre a necessidade de ‘emagrecer o Estado’, foi aprovado no Senado e agora aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Decisão política em ano eleitoral

A decisão final sobre o ‘trem da alegria’ está nas mãos de Lula, que tem em mãos um argumento econômico para vetar a medida, que beneficia a elite do funcionalismo público. A área técnica deve recomendar o veto, mas a decisão final será **estritamente política**. Em um ano eleitoral, Lula terá que ponderar o custo político de barrar um benefício aprovado pelo Legislativo, especialmente considerando suas recentes tentativas de aproximação com Arthur Lira e líderes do Congresso.


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