Renúncia como estratégia de defesa
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) formalizou sua renúncia ao mandato na Câmara dos Deputados, uma decisão que, segundo aliados, foi arquitetada como uma manobra estratégica para lidar com as consequências de sua condenação judicial. A renúncia, oficializada neste domingo, 14, surge em um contexto de crescentes reveses judiciais e o risco iminente de prisão e extradição da Itália, onde a parlamentar se encontra.
A estratégia por trás da renúncia, conforme relatos de pessoas próximas à deputada, visa a **evitar a ampliação de danos** e a ganhar uma posição mais favorável em sua defesa. A avaliação é de que o status de ex-parlamentar que renunciou difere significativamente do de uma deputada cassada. Essa distinção, combinada com a recente votação na Câmara que inicialmente adiou a perda do mandato, reforça o argumento de que Zambelli seria vítima de perseguição política.
O plano para sair da prisão e reverter a extradição
O primeiro passo do plano consiste em obter autorização para deixar a prisão na Itália com base na renúncia ao mandato. Em seguida, o objetivo é **reverter o pedido de extradição** para o Brasil. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, destacou que a renúncia não levou em conta cálculos sobre inelegibilidade, mas sim o foco em facilitar a defesa no país europeu.
“Uma coisa é ela se defender na Itália como parlamentar cassada, outra é como quem renunciou e se mostra vítima de perseguição política”, afirmou Cavalcante. O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), que está prestes a assumir como líder da oposição, corroborou essa visão, enfatizando que a prioridade é a não extradição de Zambelli, pois ela correria “sérios riscos aqui” no Brasil.
Futuro político e a condenação do STF
Carla Zambelli já teria sinalizado a aliados o plano de, nas próximas eleições, lançar um familiar ou uma pessoa de sua confiança para ocupar uma cadeira na Câmara. Nomes como o de sua mãe e de um de seus advogados já foram cogitados para essa eventualidade.
A situação de Zambelli se complicou após o Supremo Tribunal Federal (STF) **condená-la a dez anos de prisão** e à perda do mandato por seu envolvimento em uma invasão cibernética ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), perpetrada pelo hacker Walter Delgatti Neto. O caso transitou em julgado em junho, e no mês seguinte Zambelli viajou para a Itália. A Câmara, em votação na madrugada de quinta-feira, 11, havia rejeitado a perda do mandato, mas o STF anulou a decisão no dia seguinte, reiterando que a perda do mandato é prevista na Constituição em casos de condenação criminal transitada em julgado.
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