Religiosidade

Dificuldades e testemunhos dos jovens no momento político brasileiro


Pesquisador identificou três grupos distintos de jovens quanto a sua relação com a política

Num artigo anterior, comentei como a posição dos jovens perante a realidade tende a ser marcado tanto pelo fascínio diante da beleza quanto pela indignação diante dos males do mundo. A revolta juvenil pode incomodar aos adultos, mas um mundo com jovens apáticos será muito pior: perderá o próprio impulso para a construção do novo e para a melhora das condições de toda a humanidade – e toda a humanidade precisa sempre melhorar em um aspecto ou outro.

Nossos jovens brasileiros estão vivendo um momento particularmente difícil para quem está definindo a própria visão de mundo e os caminhos futuros. Os efeitos da polarização política têm sido impiedosos para todas as posições. Para onde se olha, o que se vê são acusações e críticas, algumas indevidas, mas a maioria com pelo menos um fundo de razão… O extremismo estimula a raiva e distorce a compreensão da realidade, o medo de ser manipulado frequentemente é instrumentalizado pelos próprios manipuladores. Para quem está se formando, neste contexto não é fácil adquirir um discernimento realista, que se oriente pela busca da verdade e pelo amor ao próximo.

Três posturas dos jovens frente à política

Diante dessa situação, um recente artigo sobre a participação política de jovens chineses pode nos ajudar a uma reflexão sobre nosso momento atual aqui no Brasil. O autor, Jun Fu, da Universidade de Melbourne, identificou três grupos distintos de jovens, quanto a sua relação com a política. Chamou-os de “jovens raivosos”, “cínicos impotentes” e “idealistas realistas”.

O primeiro grupo se identifica por uma relação visceral e agressiva com a política. Tendem a uma adesão acrítica às próprias posições e à completa negação da posição do outro, ao extremismo ideológico, à intransigência e à falta de diálogo.

Os cínicos impotentes acreditam que nada irá conseguir mudar o mundo. Sendo assim, o importante é procurar se dar bem nas condições atuais. A postura desses jovens é individualista, acrítica, conformista.

Os idealistas realistas querem construir um mundo melhor, mas estão cientes de suas limitações e procuram trabalhar dentro dessas limitações, procurando “fazer a diferença” naquilo que lhes é possível fazer.

Sem nenhuma preocupação estatística, de saber quem é mais comum e quem é menos comum, podemos assumir que esses três grupos também estão presentes entre os jovens brasileiros de hoje.

Infelizmente, nenhum dos dois primeiros grupos dará grande ajuda para a construção de uma política melhor em nosso País. Os cínicos impotentes não se esforçam para consertar o que está errado, tornando-se coniventes com a situação atual. Os jovens raivosos desperdiçam seu idealismo, deixando-se levar por movimentos e lideranças que acabam se revelando mais preocupados em garantir suas próprias posições, aniquilando os adversários, do que em construir o bem comum. A raiva, mesmo que muitas vezes compreensível, nunca é boa conselheira.

Evidentemente, idealistas realistas representam o perfil mais adequado para construir uma sociedade mais justa. Todos os papas, ao se dirigirem aos jovens, procuraram incentivar essa posição. Mas, tal postura não é tão fácil. Se olharmos para o mundo adulto, veremos que os jovens idealistas frequentemente se tornam adultos cínicos ou raivosos.

A sabedoria dos velhos e a liberdade dos jovens

Na exortação Christus Vivit (CV) Francisco escreve: “Aos jovens, está confiada uma tarefa imensa e difícil. Com fé no Ressuscitado, poderão enfrentá-la com criatividade e esperança […] Misericórdia, criatividade e esperança fazem crescer a vida. […] Sei que ‘o teu coração, coração jovem, quer construir um mundo melhor […] Continuai a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo […] Não olheis da sacada a vida, mergulhai nela, como fez Jesus’ [Vigília da XXVIII Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro]. Lutai pelo bem comum, sede servidores dos pobres, sede protagonistas da revolução da caridade e do serviço, capazes de resistir às patologias do individualismo consumista e superficial”. (CV 173, 174)

A falta de referências adultas que mostrem que o idealismo pode ser vivido de forma realista é uma das maiores causas da desilusão e da revolta dos jovens quando pensam o mundo adulto. Mas, ao mesmo tempo, explicam o grande fascínio que idosos como o Papa Francisco exercem sobre os jovens. Pessoas como ele mostram aos jovens que é possível ter esperança, que o amor e a ternura não são sentimentos ilusórios, que a indignação pode não levar ao ressentimento e a uma violência desnorteada.

Por outro lado, em alguns momentos os próprios jovens podem se tornar uma referência para os adultos. Fiquei particularmente impressionado com o testemunho de um grupo de universitários católicos que, constatando a polarização política do momento atual, passaram a estudar a posição dos candidatos em que não votariam, não para criticá-los, mas para descobrir e o que tinham de bom. A maioria de nós procura sempre justificar a sua posição, desqualificando a do outro… Quanta liberdade tinham esses jovens para não se apegar a suas posições, mas, pelo contrário, procurar se abrir para o outro! 

Cabe a todo adulto cristão ser ele também um testemunho crível de uma postura humana capaz de criar uma política melhor – para que nossos jovens sejam “idealistas realistas”. Cada um de nós é chamado a praticar o discernimento e o amor característicos aos idosos sábios e idealistas, bem como a liberdade e o ímpeto desses jovens que se abriram para descobrir os valores do diferente. 

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Ele foi ordenado padre após 50 dias em coma


A comunidade local vinha rezando muito por sua recuperação

Nathanael Alberione, 33 anos, foi ordenado sacerdote após 50 dias em coma. Até agora, ele foi ordenado diácono na Patagônia, na diocese de Comodoro Rivadavia, no sul da Argentina, em 21 de novembro. A notícia de sua ordenação causou grande alegria na comunidade católica local, que vinha rezando muito por sua recuperação.

Em abril de 2021, seu estado de saúde havia se deteriorado subitamente por causa da Covid-19, a ponto de mergulhá-lo em um coma por cerca de 50 dias. A Missa de ordenação foi presidida pelo Bispo de Comodoro Rivadavia, Joaquín Gimeno Lahoz, na presença de um grande número de fiéis. A ordenação teve até que ser realizada em um estádio, pois as igrejas locais não eram grandes o suficiente para acomodar os fiéis que queriam assistir!

Padre Alberione falou em uma entrevista para uma estação de rádio local. “A palavra obrigado não é suficiente em uma situação como esta”, disse ele. Padre Alberione descreve de forma realista e honesta as etapas de sua recuperação, explicando que primeiro passou por uma fase difícil de questionamento e de revolta por sua fraqueza: “No início eu era como um prostrado, tive que aprender a andar novamente, a falar, e depois disse a mim mesmo que esta situação não era nada em comparação com outras”.

Torne-se um padre ou morra

A história deste padre foi além das fronteiras da América do Sul para Roma, tocando um companheiro exilado que não é outro senão… o Papa Francisco. O Santo Padre lhe enviou uma carta na qual o convidava a ser um “sacerdote das periferias” na Argentina. “Não esqueça suas raízes ou o olhar de Jesus que o chamou”, insistiu Francisco em sua carta. “Peço à Virgem que o proteja, que cuide de você com muita atenção e carinho, e por favor não se esqueça de rezar por mim”, concluiu o Papa Francisco.

Uma bela vitória para este padre cuja vocação era tão forte que ele confessou ter pedido a Deus que lhe concedesse a morte em vez de não se tornar padre: “Antes de entrar em coma, eu rezei e pedi a Deus para morrer se eu não pudesse me tornar padre”. Após 50 dias no “deserto”, aos 33 anos de idade, quando Cristo morreu, Nathanael Alberione foi finalmente ordenado a servir a Deus.