Justiça Condena Dupla a 17 Anos por Turismo Sexual em São Paulo
A Justiça Federal em São Paulo condenou dois homens a 17 anos e 6 meses de prisão por promoverem **turismo sexual** para estrangeiros de alto poder aquisitivo na capital paulista. A decisão atende a uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que apontou a organização de um curso sobre técnicas de sedução, culminando em uma festa com a participação de mulheres, algumas delas menores de idade.
Curso de Sedução e Festa em Mansão
O americano Mark Thomas Firestone e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro Junior foram acusados de organizar, em fevereiro de 2023, um treinamento com o objetivo de ensinar aos clientes técnicas para a conquista de mulheres. O curso, que teve um custo entre US$ 4 mil e US$ 50 mil por participante, foi anunciado com referências aos “atributos físicos e sexuais das mulheres brasileiras”.
O treinamento, que já havia passado por países como Costa Rica e Colômbia, encerrou-se com uma festa em uma mansão no Morumbi. Segundo a Procuradoria, dezenas de mulheres foram induzidas a comparecer ao evento sem conhecimento do real propósito, com o objetivo de servirem como “iscas” e “cobaias” para os alunos do curso. A investigação revelou que duas das sete vítimas identificadas tinham menos de 18 anos na época.
“Execrável Turismo” e Defesa dos Réus
A sentença, proferida pela 4.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, condena os réus por favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual, crimes previstos nos artigos 218-B e 228 do Código Penal. A Justiça descreveu a ação como um “execrável turismo de natureza sexual em território paulistano”, onde mulheres jovens e de origem humilde foram selecionadas por serem consideradas mais suscetíveis às falsas promessas.
A defesa de Fabrício Castro Junior, através do advogado Nairo Bustamante Pandolfi, afirmou que “as provas do processo não demonstram nenhum ato criminoso”. Já o defensor de Mark Thomas, Mauricio Ejchel, informou que “recebeu a sentença com inconformismo”. Ambos os acusados ainda podem recorrer da decisão.
Terceiro Envolvido e Negócios Internacionais
Um terceiro envolvido, um cidadão chinês, também foi denunciado, mas seu processo foi desmembrado e suspenso. Segundo as investigações, o chinês e o americano eram responsáveis por um empreendimento internacional que promovia “cursos de relacionamento em locais com histórico de violação de direitos femininos”.
O réu brasileiro é apontado como “sócio oculto” dos organizadores, tendo negociado a locação da mansão e convidado pessoas para a festa. Ele já teve a prisão preventiva decretada e encontra-se foragido. A organização do evento incluiu a veiculação de convites em redes sociais, prometendo isenção de custos para as convidadas, sem revelar a verdadeira finalidade da celebração. Mulheres que participaram do evento só souberam da exploração ao verem suas imagens publicadas em vídeos do curso.
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