Adeus ano velho, feliz ano novo. Para quem vive no Brasil e busca comemorar o novo tempo que começou, o que não faltam são opções e superstições: estourar um espumante, pular sete ondas na praia, matutar por horas a fio qual cor de calcinha melhor atende seus anseios para o ano que vem, e por aí. Tudo vale para chegar com o pé na porta em um novo recomeço.
Tudo mesmo. Os jeitos que a humanidade inventou para celebrar cada giro que a Terra completa ao redor do Sol são variados e tendem a ser bem criativos. Ao redor do mundo, até a data da festa varia. No calendário lunissolar chinês, por exemplo, a virada para 2026 cai no dia 17 de fevereiro do nosso calendário gregoriano, e a data vai mudando a cada ano.
Agora, se a roupa branca e a lentilha já estão ficando enjoativas, vale olhar para algumas das outras numerosas tradições de ano novo que a história da humanidade germinou em todo o planeta. (Mas com cuidado, porque algumas dessas variam entre o perigoso e o criminoso).
1. Finlândia: Prever o futuro com metal derretido
Desde o século 18, é comum entre os finlandeses tentar prever o que o ano porvir trará derretendo pequenas ferraduras de estanho. Derramado na água, esse metal liquefeito volta ao estado sólido rapidamente, e toma formas bem curiosas. Cada uma com uma interpretação própria. Se lembra uma borboleta, o que vem por aí é amor e sucesso. Se parece um cachorro, espere amor e sucesso. Se o que surge é uma arma, aí seu relacionamento amoroso vai passar por uns maus bocados.
O fundamento dessa tradição é a pareidolia, o mesmo fenômeno psicológico que leva o cérebro a reconhecer rostinhos em tomadas ou animais em nuvens.
Mas cuidado: aquecido, o estanho libera chumbo, um metal pesado bem tóxico. Em 2018, as autoridades finlandesas chegaram a restringir o uso das ferraduras para esse fim por causa do perigo. A recomendação é que o material seja substituído por cera ou açúcar.
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2. Dinamarca: Quebrar a louça na porta dos amigos

Ainda nos países nórdicos, os dinamarqueses cultivam um hábito um pouco mais caótico: quebrar pratos na porta de seus amigos mais queridos. Parece agressivo, mas é um jeito de demonstrar afeto. Simbolicamente, a ideia é que, junto com a louça, quebram junto os infortúnios e as más energias do ano que passou, e os estilhaços que sobram viram um desejo de boa sorte.
Isso tudo também depois de dar um pulinho logo na virada da meia noite.
3. África do Sul: jogar mobília pela janela

Por todo lado, destruir objetos para dar lugar a algo novo parece ser uma tendência dessas comemorações. Para alguns sul-africanos na cidade de Joanesburgo, isso vem na forma da defenestração – isto é, jogam mobília velha pela janela. Para começar um novo ciclo, eletrodomésticos enferrujados e todo tipo de tralha vai sacada abaixo.
É uma prática que tem encontrado suas dificuldades. Primeiro, pelo aumento de preço dos aparelhos; não vale a pena jogar um fora. Segundo, porque lançar um sofá pela janela obviamente configura um crime – além de ser muito perigoso. Não existem dados precisos sobre quantas pessoas já se machucaram nessa brincadeira, mas já houve caso de um transeunte ser atingido na cabeça por uma geladeira.
4. Equador: Queima dos monigotes

O ano velho também por acabar em chamas. Todo ano, no Equador, o ritual é queimar os monigotes, bonecos grandes de figuras humanas que simbolizam tudo de ruim dos tempos passados.
Essa purificação pelo fogo vem da tradição dos gregos antigos, e chegou no país latino em 1842, no período da colonização. Foi quando os povos da cidade de Guayaquil tentaram impedir o avanço da febre amarela queimando as roupas daqueles que foram mortos pela doença. Com o tempo, o vírus foi sendo substituído culturalmente por todo tipo de signo para dificuldades passadas e energias ruins.
Os “Anõs Viejos”, fantoches que alcançam quase dez metros de altura, são desfilados durante um festival, e entram em chamas sempre no instante da virada. A tradição já é tão consolidada que governos locais promovem concursos para eleger os melhores bonecos.
5. Escócia: São elas, as bolas de fogos
Falando em festivais de pirotecnia, todo ano um desfile de labaredas e bolas flamejantes ilumina a noite de réveillon na cidade escocesa de Stonehaven. Das ruas altas até o porto, malabaristas vão jogando pelo ar esferas cheias de material combustível. A festa tem pelo menos 170 anos de existência. Confira acima uma gravação da última edição.
6. Chile: Virando (o ano) no caixão

Na cidade de Talca, no Chile, até os defuntos participam da festa. Quando Julio Opazo Silva, um dos funcionários do Cemitério municipal, morreu e foi enterrado logo no local de trabalho, sua família se infiltrou no terreno, querendo aproveitar o ano novo junto com o ente querido. À medida que repetiram o feito nos anos seguintes, outras famílias passaram a aderir ao movimento, até que, em 1998, a necrópole passou a abrir durante a virada do ano.
Hoje, é tradição entre os habitantes da cidade aproveitar as festividades ao lado de túmulos e flores dedicados aos parentes que já não estão mais por aí.
[Por: Superinteressante]
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