A ascensão da campanha ‘Congresso inimigo do povo’ tem gerado debates acalorados, especialmente por ser vista como um reflexo de discursos bolsonaristas, mas com uma inversão de sinal pela esquerda.
A polarização política no Brasil atingiu um novo patamar com a disseminação da narrativa de que o **Congresso** é um inimigo do povo. Essa visão, embora pareça nova, carrega semelhanças preocupantes com o discurso bolsonarista, que também atacava instituições democráticas. A diferença reside, aparentemente, no espectro político que empunha essa bandeira, sugerindo uma **”bolsonarismo com sinal invertido à esquerda”**.
A crítica, que se volta contra a totalidade da instituição legislativa, ignora o papel fundamental do Congresso como um dos pilares da democracia brasileira. Mesmo com suas imperfeições e escândalos, o Legislativo, em tese, reflete as diversas opiniões, valores, conflitos e interesses da sociedade. A atual “balbúrdia” que se observa no Congresso é, em parte, um espelho dos tempos convulsos que o país atravessa.
Ações recentes do Judiciário levantam questionamentos sobre ética e blindagem
Paralelamente às críticas ao Congresso, movimentos recentes do Poder Judiciário também têm gerado apreensão. Tentativas de **blindagem contra impeachment de ministros do STF** e a divulgação de informações sobre viagens de ministros com advogados envolvidos em investigações, como no caso de Dias Toffoli, e pagamentos vultosos à esposa de Alexandre de Moraes pelo Banco Master, levantam sérias questões sobre a ética e a transparência nas altas cortes. A ausência de um código de ética mais rigoroso para esses integrantes é um ponto negligenciado por quem clama contra o Legislativo.
Apesar das críticas, é crucial lembrar que a existência do Congresso, mesmo com seus problemas, é preferível a um cenário sem ele. A ausência de um poder Legislativo representativo pode significar um **retorno à ditadura**. A pergunta que paira no ar é se os defensores da tese “Congresso inimigo do povo” realmente desejam esse cenário, ou se a retórica é apenas uma forma de expressar insatisfação com o sistema político vigente.
A complexidade da representação popular e os desafios da democracia
O governo federal, com seu poder de barganha limitado pelas emendas impositivas, pode ter interesse em ver os parlamentares em descrédito. No entanto, a estratégia de deslegitimar o Congresso como um todo é perigosa. A população, por exemplo, se divide sobre a punição de Bolsonaro, com 54% concordando com a condenação, mas 51% preferindo prisão domiciliar, o que demonstra a complexidade de opiniões que o Congresso, de alguma forma, tenta mediar. Ignorar essa complexidade e apelar para o simplismo de “inimigo do povo” enfraquece os mecanismos democráticos e abre espaço para discursos autoritários, independentemente de onde venham.
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