Conservantes alimentares aumentam o risco de câncer? Veja o que dizem especialistas

Pesquisas indicam que conservantes podem aumentar risco de câncer, mas relação não é direta. Entenda os detalhes.

Eles estão presentes em carnes processadas, biscoitos, molhos, sucos e até em alimentos que parecem inofensivos à primeira vista. Mas afinal, conservantes alimentares aumentam o risco de câncer?

Um estudo conduzido por pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Universidade Paris Cité, divulgado no início de 2026, aponta que determinados aditivos químicos podem estar associados a um aumento no risco de alguns tipos de câncer, como mama, próstata e cólon.

A pesquisa não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os autores indicam que a exposição contínua a esses compostos merece atenção, principalmente em um cenário de alto consumo de produtos ultraprocessados.

O que são conservantes e por que são usados?

Conservantes são substâncias adicionadas aos alimentos para prolongar a validade, evitar a proliferação de micro-organismos e manter características como cor, sabor e textura.

Segundo a nutricionista Cynthia Howlett, especializada em nutrição esportiva e coordenadora de Projetos Educacionais e Sustentáveis da Sanutrin, o apelo visual é um dos principais fatores por trás do uso intenso de aditivos.

“A maioria dos produtos, para conseguirem ser mais atrativos, geralmente têm uma cor mais forte, principalmente quando se fala de criança. Tudo o que é colorido é mais atrativo. Por isso, hoje muitos ultraprocessados e industrializados têm muita cor, muito sabor e boa textura, por conta dos aditivos químicos. Grande parte desses alimentos com cores mais intensas utiliza aditivos artificiais, que deixam o gosto mais marcante, a cor mais vibrante e chamam mais a atenção do consumidor”, explica.

Esse efeito, segundo ela, é resultado da combinação de corantes, conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor.

“Os aditivos mais presentes são os corantes vermelho 40, caramelo, azul, enfim, os corantes artificiais, muito usados para dar cor e chamar a atenção. Há também os conservantes, como sorbato e benzoato de sódio, e os realçadores de sabor, como o glutamato monossódico”, comenta.

Quais conservantes são mais comuns?

Entre os conservantes frequentemente encontrados na rotina alimentar estão:

  • Nitrato de sódio, presente em carnes processadas como bacon, salsicha e salame;
  • Sorbato de potássio, utilizado em doces, coberturas, condimentos e carnes industrializadas;
  • Sulfitos, comuns em biscoitos, cereais, sucos engarrafados e embutidos;
  • Acetatos e ácido acético, empregados em produtos de panificação e refeições prontas.

O problema, segundo especialistas, não está necessariamente no consumo ocasional, mas na exposição frequente e cumulativa ao longo dos anos.

Conservantes realmente causam câncer?

A resposta mais honesta, com base nas evidências atuais, é não, não há comprovação de causa direta, mas existem associações que preocupam.

Estudos observacionais indicam correlação entre maior consumo de ultraprocessados e aumento do risco de determinados tipos de câncer. Isso pode envolver não apenas conservantes isoladamente, mas o conjunto de aditivos e o perfil nutricional desses alimentos, que costumam ser ricos em sódio, gorduras e açúcares.

Por isso, especialistas reforçam que o padrão alimentar como um todo é mais importante do que um ingrediente específico.

Impacto além do risco de câncer

A nutricionista Cynthia Howlett também chama atenção para o aspecto nutricional. “Do ponto de vista nutricional, a gente perde a propriedade natural do alimento. Um açaí, por exemplo, que tem propriedade antioxidante, é uma fruta super rica, com uma gordura considerada boa, mas quando se mistura com xarope, corante e açúcar, acaba perdendo essas características”, afirma.

Além da perda de qualidade nutricional, o consumo frequente de ultraprocessados pode estar associado a processos inflamatórios, alergias, dores de cabeça e alterações intestinais, sintomas que nem sempre são relacionados imediatamente à alimentação.

Outro desafio é a leitura dos rótulos. “A rotulagem aqui no Brasil ainda é muito fraca em relação a esses aditivos. Hoje, temos a lupa que indica alto teor de sódio, gordura ou açúcar, mas não especifica de fato os corantes, os aditivos e os realçadores de sabor”, diz.

Para a nutricionista, a informação é a principal aliada do consumidor. “O consumidor precisa estar mais informado, entender os ingredientes, a composição do alimento que está sendo comprado e procurar decifrar esses nomes”, conclui, ao reforçar a importância do hábito de leitura de rótulos antes da compra.

Como reduzir a exposição a conservantes

Algumas atitudes simples podem ajudar no dia a dia:

  • Observe as cores dos alimentos. Tons muito vibrantes e padronizados costumam indicar o uso de corantes artificiais.
  • Leia a lista de ingredientes com atenção. É ali que aparecem conservantes, corantes e realçadores de sabor.
  • Priorize alimentos naturais ou minimamente processados sempre que possível, reduzindo a exposição frequente a aditivos artificiais.

Os conservantes desempenham um papel importante na indústria alimentícia e não devem ser vistos como vilões. No entanto, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode estar associado a riscos à saúde, inclusive a alguns tipos de câncer, segundo pesquisas recentes. A chave, como reforçam os especialistas, não está em eliminar completamente um alimento, mas em buscar equilíbrio, informação e escolhas mais conscientes no dia a dia.


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