Contador Preso por Moraes: Quebra de Sigilo Fiscal de Parentes de Autoridades
Ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão de contador suspeito de integrar organização criminosa que acessou dados fiscais sigilosos de 1.819 contribuintes.
Suspeito identificado como mandante na obtenção de dados
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão de um contador suspeito de participar de um esquema para obter indevidamente dados fiscais sigilosos de familiares de autoridades, incluindo parentes de ministros da Corte, deputados, senadores e empresários. A informação, divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo Estadão, indica que a prisão foi decretada em 13 de março, a pedido da Polícia Federal (PF) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a decisão de Moraes, o contador Washington Travassos de Azevedo foi apontado como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos”. O esquema teria acessado informações de 1.819 contribuintes entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, incluindo downloads de declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF).
Esquema visava parentes de autoridades e personalidades públicas
Entre as vítimas do acesso indevido estão pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública. A esposa do próprio ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane de Moraes, também figura entre os alvos do esquema.
O caso ganhou ainda mais repercussão devido à recente crise envolvendo o contrato de Viviane de Moraes com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões, considerado incompatível com o mercado por diversos especialistas. Em fevereiro, a PF já havia cumprido mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no contexto de uma investigação sobre vazamentos de dados de ministros do STF e seus familiares, após a Receita Federal detectar a quebra de sigilo fiscal da esposa de Moraes.
Prisão preventiva e justificativa legal
A prisão preventiva de Washington Travassos de Azevedo foi efetuada em 14 de março de 2026, com audiência de custódia realizada no mesmo dia. De acordo com a Folha de S. Paulo, o contador teria admitido a obtenção irregular de dados e atuado como intermediário entre um interessado e quem ofereceu o serviço para tal finalidade.
Alexandre Wunderlich, especialista em Ciências Criminais, comentou que a prisão parece tecnicamente justificada, uma vez que o sigilo fiscal é protegido por lei e sua violação é crime. Ele destacou que a prisão preventiva, mesmo sem denúncia formalizada, baseia-se em elementos como a garantia da ordem pública e da instrução criminal futura, tendo passado pelo crivo da PF e da PGR.
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