Justiça Militar condena coronel reformado por críticas às Forças Armadas
O coronel reformado do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, conhecido por autodenominar-se ‘caçador de comunistas e corruptos’, foi condenado a dois anos e dez meses de prisão por ofender as Forças Armadas. A decisão judicial aponta que o militar, suposto ‘mentor’ do grupo de extermínio Comando 4, proferiu declarações consideradas difamatórias e incitadoras à indisciplina.
Declarações polêmicas e cenários de ruptura
Em vídeos divulgados nas redes sociais, Caçadini expressou profundo descontentamento com a atuação do Exército Brasileiro, afirmando que a instituição estaria ‘passando um pano’ em eventos recentes e que ‘99.99999% da ativa está descontente’. Ele chegou a sugerir que manuais militares foram feitos ‘para serem rasgados’, comparando a situação com o que, em sua visão, o Supremo Tribunal Federal (STF) faz com a Constituição.
O coronel apresentou três cenários para o futuro das Forças Armadas, incluindo uma possível ‘fratura’, ‘fissura’ ou ‘quebra total’ na estrutura do Exército. Ele mencionou a possibilidade de um ‘capitanismo’ ou ‘coronelismo’, onde oficiais de patente inferior assumiriam posições em favor do que a população deseja. Caçadini também questionou a hierarquia e disciplina, afirmando que existem ‘para situações normais’ e que o ‘bem da nação’ pode justificar sua quebra.
Acusações de traição e omissão
Em outra gravação, o militar inconformado com a posse do presidente Lula em 1º de janeiro de 2023, convocou militares da reserva e da ativa a não comparecerem ao Dia do Veterano, chamando a atitude do Alto Comando de ‘covardia e omissão’. Ele acusou as Forças Armadas de terem ‘traído o povo brasileiro’ na virada de 2022 para 2023.
O Ministério Público Militar rebateu as acusações, frisando que as Forças Armadas têm suas atribuições limitadas pela Constituição e que não lhes compete impedir a posse de um presidente eleito e diplomado. A promotoria destacou que as manifestações de Caçadini extrapolaram o direito à livre manifestação, com o intuito de incitar desobediência e indisciplina, além de ofender a dignidade das Forças Armadas e a honra do Comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, a quem acusou de omissão e traição.
Reconhecimento e violação da lei
O próprio denunciado reconheceu ser o único responsável pelas publicações nas páginas eletrônicas da ‘FRENTE AMPLA PATRIÓTlCA’. A Justiça considerou que as publicações violaram o Código Penal Militar, ao incitar desobediência e indisciplina militar, ofender a dignidade das Forças Armadas e imputar fatos ofensivos à reputação do Comandante do Exército.
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