Lula em ação na Bahia: Mediação de crise para evitar racha eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma missão delicada nas próximas semanas: mediar um conflito interno no PT da Bahia. A divergência gira em torno da composição da chapa eleitoral para as eleições de outubro, com o PT defendendo uma candidatura “puro-sangue” que desagrada aliados importantes. A disputa pela definição dos candidatos ao Senado e ao governo estadual acirrou os ânimos e pode levar a um racha político.
Ameaça de “chapa carniça” e a exigência do PSD
O senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, usou palavras fortes ao criticar a estratégia petista. Ele classificou a proposta de “chapa carniça”, alertando que tal composição pode levar à derrota, como ocorreu no passado. O PSD, aliado histórico do PT no estado, reivindica uma vaga ao Senado, especialmente porque o mandato de Ângelo Coronel (PSD-BA) também se encerra. A oferta do PT de uma suplência para Coronel e a vice na chapa de Jerônimo Rodrigues para o filho dele, Diego Coronel, foi considerada inaceitável por Otto Alencar.
“Isso fere o amor próprio dele. É uma proposta que não deveria ter sido feita”, declarou Otto Alencar, que já foi vice-governador da Bahia. A insatisfação do PSD se soma a um cenário onde a violência e a segurança pública são gargalos históricos da gestão petista no estado, um ponto sensível que a oposição costuma explorar.
O PT insiste na “puro-sangue” e o PSD reage
A cúpula do PT na Bahia defende o lançamento de uma chapa formada apenas por membros do partido. A ideia é ter o atual governador, Jerônimo Rodrigues, buscando a reeleição, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, como candidato ao Senado, e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner, disputando a reeleição para o Senado. Essa estratégia, contudo, deixa de fora o PSD, um aliado crucial para a manutenção do poder no estado.
A nomeação do filho de Otto Alencar, Otto Alencar Filho, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) da Bahia, após renunciar ao mandato de deputado federal, foi vista por alguns petistas como uma tentativa de apaziguar o presidente do PSD baiano. No entanto, Otto Alencar nega qualquer tipo de favorecimento ou acordo prévio relacionado a essa nomeação.
Lula como árbitro final em disputa acirrada
Diante do impasse, o presidente Lula foi acionado para intervir e tentar costurar um acordo que evite a fragmentação da base aliada. A capacidade de negociação do presidente será testada para equilibrar os interesses do PT e do PSD, buscando uma solução que preserve a unidade e fortaleça as chances de vitória nas próximas eleições na Bahia. A definição da chapa é um dos pontos centrais da disputa eleitoral no estado, e qualquer deslize pode ter consequências significativas.
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