CVM aponta descontrole da Reag em prevenção à lavagem de dinheiro

Problemas graves de controles internos na Reag Investimentos

Um relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) expôs sérios problemas de controles internos e de governança na gestora de fundos Reag Investimentos. Técnicos do órgão fiscalizador identificaram 38 irregularidades, envolvendo tanto a empresa quanto a conduta de nove de seus diretores, no período entre 2020 e 2024. O documento aponta que a Reag “mantém continuidade de vínculos com clientes sobre os quais já não tem mais pleno conhecimento da origem dos seus recursos e da constituição de seu patrimônio”, indicando uma falha crítica na prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento ao terrorismo (LD/FTP).

Segundo o relatório, essa “incapacidade de manter controles robustos” reflete uma “cultura de negligência” que compromete a integridade do mercado de valores mobiliários. A CVM destaca que a Reag opera em um cenário de alta vulnerabilidade, com sua capacidade de mitigar riscos de LD/FTP comprometida. A situação é considerada ainda mais grave devido ao grande porte da instituição, que opera um volume significativo de recursos e uma vasta quantidade de fundos.

Falta de sistemas e procedimentos para identificar operações atípicas

O documento detalha a ausência de sistemas confiáveis e procedimentos adequados para identificar operações atípicas, essenciais para avaliar a necessidade de comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao todo, foram listadas 35 irregularidades graves cometidas pela empresa e sua alta administração. Desse total, 17 foram descumprimentos de normas pela Reag e 18 pela alta administração da gestora.

Cinco diretores foram especificamente citados por suas supostas ações e omissões: Marco Antonio da Costa Baptista, Ramon Pessoa Dantas, Silvano Gersztel, Octávio Pires Vaz Filho e Fernando Dauj Torres. Outros quatro executivos também são mencionados como membros da alta administração no período. A CVM propõe o envio de ofícios a essas pessoas para que se manifestem sobre as desconformidades apontadas, visando a avaliação de uma possível acusação em processo administrativo sancionador.

Reag nega falhas e reforça compromisso com conformidade

Em resposta, a Reag Investimentos afirmou que as supostas desconformidades identificadas em documentos de políticas e manuais de PLD/FTP não indicam ausência ou insuficiência dos controles e procedimentos adotados. A empresa declarou que seus controles existem, são efetivamente aplicados e passam por aprimoramentos contínuos, em conformidade com as melhores práticas regulatórias. A gestora reforçou seu compromisso com a transparência, a governança e o cumprimento das normas, colocando-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A Reag também buscou desvincular as conclusões do relatório da CVM das investigações da Operação Carbono Oculto, que apura a suposta lavagem de dinheiro do PCC por meio de fundos de investimentos. A empresa ressaltou que não existe, neste momento, qualquer acusação formal formulada pela CVM e que o documento recebido é um relatório preliminar para apresentação de esclarecimentos.


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