Transferência de Daniel Vorcaro para Brasília acende alerta sobre influências
O banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de chefiar uma organização criminosa que operava como uma “milícia privada”, foi transferido para uma penitenciária federal em Brasília. A decisão judicial levanta novas questões sobre as **influências de Vorcaro no poder público e privado**, detalhadas em investigações da Polícia Federal (PF).
Conexões com figuras proeminentes
Mensagens apreendidas pela PF revelam encontros de Daniel Vorcaro com figuras de alto escalão, incluindo o presidente da Câmara, Arthur Lira, o senador Ciro Nogueira e o ministro do STF, Alexandre de Moraes. As comunicações indicam discussões sobre negócios e interesses do Banco Master, instituição presidida por Vorcaro.
Um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa de interesses no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional, também é citado nas investigações.
Além disso, o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio anônimo de uma empresa que teve participação em resorts vendidos a fundos de investimento ligados ao cunhado e operador financeiro de Vorcaro, Fabiano Zettel. Toffoli era relator de um caso envolvendo Vorcaro no STF, mas se afastou após as menções.
Estrutura da organização criminosa
A PF descreve a organização criminosa como composta por quatro núcleos: financeiro, corrupção institucional (voltado à cooptação de servidores do Banco Central), ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, e intimidação e obstrução de Justiça. Este último núcleo seria responsável por monitorar adversários, jornalistas e autoridades.
Servidores do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, teriam recebido “mesada” para atuar como “consultores informais” do Banco Master, auxiliando a instituição a burlar fiscalizações e esconder inconsistências.
O grupo incluía, além de Vorcaro e Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” pela PF. Mourão foi preso e, segundo a PF, cometeu suicídio sob custódia. Seu advogado contesta a versão, afirmando que ele está vivo e sem protocolo de morte cerebral.
Encontros com autoridades e negociações
Vorcaro também relatou à namorada encontros em Brasília em 2025 para discutir a possível compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), com a participação do governador Ibaneis Rocha. Em 2024, o banqueiro foi recebido pelo presidente Lula, acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e de seu ex-sócio, Augusto Lima.
A transferência de Daniel Vorcaro para uma penitenciária federal em Brasília intensifica o escrutínio sobre as relações do banqueiro com o poder e as investigações em curso, que continuam a desvendar a complexa teia de influências e operações financeiras.
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