Daniel Vorcaro: PF encontra celular com texto idêntico a notícia vazada de inquérito sigiloso
Investigação aponta que banqueiro do Banco Master usou site para divulgar informações obtidas ilegalmente, visando sua defesa.
A Polícia Federal realizou uma descoberta crucial no celular de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master. Foi encontrada uma anotação com um texto surpreendentemente semelhante a uma publicação que seria feita horas depois em um site, supostamente utilizado por Vorcaro para “esquentar” informações de um inquérito sigiloso. Essas informações teriam sido usadas em sua própria defesa.
Acesso ilegal e vazamento estratégico
Conforme revelado pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a PF aponta que Daniel Vorcaro acessou o inquérito sigiloso por meio de um esquema de hackeamento de sistemas. Após obter o acesso ilegal, ele ingressou com um pedido na Justiça Federal para tentar evitar sua prisão, que já havia sido determinada. Horas antes deste pedido, a PF alega que Vorcaro utilizou o site O Bastidor, dirigido pelo jornalista Diego Escotesguy, para tornar pública a informação sobre a vara judicial onde tramitava o processo criminal.
Anoteção no celular e publicação no site
No dia 16 de novembro de 2025, às 14h58, Vorcaro anotou em seu celular o nome do juiz do caso, Ricardo Soares Leite, e a pergunta “vocês são próximos?”. Investigadores suspeitam que ele registrava informações sensíveis para enviá-las por aplicativos de conversa com modo de visualização única. No dia seguinte, 17 de novembro, às 4h15, um bloco de anotações registrou o seguinte texto: “Mesmo após o negócio entre Master e Brb ter sido negado ha dois meses, o tema continua mais vivo do que nunca. Adversários e opositores das duas partes tentam de toda forma pressionar órgãos de controle e judiciário pra tentar fechar o caixão das instituições ainda em novembro. Entre as tentativas, esta a pressão na 10 vara de brasilia, cujo processo foi antecipado pela Folha de São Paulo”.
Notícia no O Bastidor e petição da defesa
Coincidentemente, no mesmo dia 17 de novembro, às 11h08, o site O Bastidor publicou uma notícia com o título “BRB-Master sem fim”, que continha informações muito similares. A matéria mencionava a negativa do Banco Central sobre a compra de parte do Master pelo BRB e a movimentação de adversários para pressionar órgãos de controle e judiciário, citando especificamente a 10ª Vara Federal de Brasília. Às 15h47, a defesa de Daniel Vorcaro enviou uma petição à 10ª Vara Federal e ao juiz Ricardo Soares Leite, posicionando-se contra medidas cautelares que pudessem causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
Relação profissional ou pagamento por informações?
Segundo o jornal O Globo, a PF anexou em relatório prints de conversas entre Diego Escosteguy e Daniel Vorcaro (identificado como DBV), afirmando que o jornalista “recebia dinheiro de DBV para publicar informações de interesse do banqueiro”. Uma planilha citaria o nome do jornalista com uma ordem de Vorcaro para pagamento de R$ 2 milhões. Em nota, Diego Escotesguy afirmou que a relação com Vorcaro era “estritamente profissional”, no âmbito da atividade jornalística, e que os valores mencionados referem-se a contratos de patrocínio e publicidade, prática comum no mercado de comunicação. Ele também ressaltou que o portal O Bastidor sempre atuou com rigor na apuração dos fatos e criticidade, tendo sido o primeiro veículo a investigar e publicar reportagens sobre suspeitas de fraudes no Banco Master em 2023.
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