Operação Serpens desarticula esquema de lavagem de dinheiro envolvendo policial civil e líder do PCC
A Delegada do PCC, Layla Lima Ayub, de 36 anos, foi presa em São Paulo na manhã desta sexta-feira, 16, sob suspeita de envolvimento com a facção criminosa. Seu companheiro, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’ e apontado como liderança do crime organizado no Pará, também foi detido. Segundo o Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Civil, o casal teria adquirido a padaria ‘Bom Jesus’ em Itaquera, na zona leste da capital paulista, com o objetivo de lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Padaria como fachada para atividades ilícitas
A investigação, que faz parte da Operação Serpens, revela que a padaria, localizada na Avenida José Diogo Machado, nº 700, Jardim Itapemirim, Itaquera, seria controlada por um ‘laranja’ indicado pelo casal. O contrato de aquisição do estabelecimento comercial, segundo a representação da Corregedoria da Polícia Civil, foi formalizado em nome de ambos, com José Geronilson da Silva e Silva figurando como vendedor, apontado como possível laranja.
A delegada, recém-empossada, não negou o vínculo com a facção e admitiu que seu namorado é ‘batizado’ do PCC. A Polícia Civil confirmou a existência da padaria e seu uso para investimento do produto do crime, em um esquema de lavagem de dinheiro. Layla Ayub será indiciada por quatro crimes: exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico.
Vínculos pessoais e profissionais com o crime organizado
A prisão da Delegada do PCC e de seu companheiro ocorreu em uma ação conjunta da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo e do Pará. A investigação apura a atuação de Layla em favor da facção, incluindo vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC. Durante a abordagem, foram apreendidos celulares, e a delegada entregou voluntariamente um terceiro chip.
A justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo e Marabá (PA), além de dois mandados de prisão temporária. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da capital. Conforme o Ministério Público, a delegada mantinha relações pessoais e profissionais com membros da facção, atuando inclusive como advogada em audiências de custódia de presos ligados ao PCC, mesmo após assumir o cargo de delegada.
Trajetória e indícios de crime
Layla Ayub, ex-policial militar no Espírito Santo, teria um relacionamento amoroso com Jardel Neto Pereira da Cruz, o ‘Dedel’. No dia 28 de dezembro, já como delegada, ela teria atuado de forma irregular como advogada em Marabá, buscando a soltura de um integrante da facção. Há também a informação de que Layla seria formalmente casada com outro delegado da Polícia Civil do Pará. A investigação aponta que o casal passou a residir junto em São Paulo após a posse de Layla, período em que ela frequentava o curso de formação na Academia da Polícia Civil. A aquisição da padaria em Itaquera, pouco após a mudança, é vista como um forte indício de lavagem de dinheiro do crime organizado.
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