Delegado em Abaetetuba faz comentários misóginos no Dia da Mulher e já foi condenado por violência sexual

Comentários misóginos e afastamento

O delegado de Abaetetuba, no nordeste do Pará, Carlos Guilherme Santos Machado, foi afastado de suas funções após ter mensagens com tom preconceituoso contra mulheres colegas de trabalho expostas em prints. A polêmica ocorreu no Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Ao ser questionado sobre um possível café da manhã, o delegado respondeu: “café da manhã não garanto, mas se quiser uma pia cheia de louças a gente providencia”. Ele complementou, dizendo que era para as colegas “se sentirem em casa nesse dia especial”.

A Polícia Civil do Pará informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado e que ele será afastado de suas funções, ficando à disposição da Corregedoria. A instituição também esclareceu que o servidor foi reprovado na investigação social do concurso para delegado, mas obteve a nomeação por meio de decisão judicial.

Histórico de condenação e perda de cargo

Carlos Machado não é novato em polêmicas. Ele é ex-promotor de Justiça na Paraíba e foi condenado pela Justiça paraibana a 7 anos e 6 meses de prisão por atentado violento ao pudor, crime que atualmente integra o tipo penal de estupro. A condenação refere-se a um caso ocorrido em 2009, em Cajazeiras, onde a vítima foi atraída à cidade sob falso pretexto e submetida à violência sexual.

Além da condenação criminal, o delegado também perdeu o cargo de promotor após atirar no pé do cunhado durante uma discussão familiar, também em 2009. Na época, a polícia apreendeu em sua casa uma arma com registro irregular. Esses episódios levaram à abertura de processos criminais e administrativos contra ele.

Atuação como delegado e defesa

Apesar do histórico, Carlos Guilherme Santos Machado ingressou na Polícia Civil do Pará em 2022, por decisão judicial, atuando como delegado em Abaetetuba. A defesa do delegado afirmou, em nota, que os processos citados ainda estão em tramitação e que seu cliente tem o direito de recorrer. “A defesa está convicta da inocência do Sr. Carlos Guilherme e trabalha ativamente para demonstrá-la nos autos”, declarou.

A defesa também ressaltou que a legalidade da decisão administrativa que resultou na exoneração do Ministério Público da Paraíba é objeto de discussão judicial. Sobre o concurso para delegado no Pará, a defesa reiterou que o Judiciário já se manifestou a favor de seu cliente, garantindo seu direito de permanecer no cargo.


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