Deputada destina R$ 2 milhões a entidade ligada a esquema de propina do INSS

Emenda em Meio a Escândalo

A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) destinou um montante de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a Cenap Asa, uma entidade que teve seu acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cancelado. A Cenap atuava sob procuração de Cecília Mota, que é suspeita de envolvimento no pagamento de propina a dirigentes do INSS, em um caso que ganha contornos cada vez mais complexos e levanta sérias questões sobre a aplicação de recursos públicos.

Vínculos Suspeitos e Contratos Cancelados

A Cenap Asa se destaca por ser a única associação a ter seu contrato rescindido durante a gestão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, poucas semanas antes da deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto. Além disso, a entidade mantinha um contrato com o empresário Igor Delecrode, figura central em investigações sobre fraudes. Delecrode é suspeito de utilizar fotos de documentos de identidade de aposentados para criar cadastros de reconhecimento facial, configurando uma potencial fraude em larga escala.

Operação Sem Desconto e Rede de Fraudes

Igor Delecrode é um dos alvos da Operação Sem Desconto. Sua atuação inicial se deu na estruturação de três associações – Amar Brasil, Master Prev e Aasap – que juntas faturaram mais de R$ 700 milhões através de descontos indevidos em aposentadorias. Posteriormente, Delecrode passou a prestar serviços de tecnologia para outras entidades, que hoje são suspeitas de funcionarem como mecanismos para a fraude. Há indícios de que essas entidades também estariam envolvidas no pagamento de propinas a dirigentes do INSS, ampliando o cerco das investigações.

O caso da deputada Maria Gorete Pereira e da Cenap Asa adiciona mais uma camada de preocupação a um cenário já complexo, onde a suspeita de desvio de verbas e corrupção atinge diretamente o INSS e figuras políticas. A destinação de emendas parlamentares a entidades com histórico questionável ou sob investigação exige rigorosa fiscalização e transparência para garantir que os recursos públicos sejam utilizados em benefício da população e não para alimentar esquemas ilícitos.


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