Ditadura na América Latina: Como ‘desligar’ um regime?
O desafio da redemocratização em um cenário complexo.
A possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela para promover a redemocratização do país tem gerado intensos debates. A história, contudo, ainda não oferece respostas definitivas sobre se tal ação será benéfica ou prejudicial para o avanço democrático venezuelano.
Uma ‘abertura rápida’ é uma ilusão?
Uma das visões mais otimistas sugere uma rápida transição para a democracia, com a inclusão de figuras da oposição e a realização de eleições. Contudo, essa perspectiva é vista como uma **agradável ilusão**. Embora a oposição possua apoio popular, ela se encontra **desestruturada**. Em contrapartida, o chavismo mantém o controle das estruturas estatais e conta com a presença de milícias armadas, os chamados “coletivos”, espalhadas pelo país. Essa realidade torna uma transição pacífica e imediata improvável.
O papel do ‘chavismo remanescente’
Outra alternativa discutida seria a cooperação com o que resta do chavismo, visando um governo desmoralizado e, teoricamente, mais manipulável. A viabilidade dessa estratégia é incerta, e a própria ideia de uma ditadura socialista, que seja satélite dos Estados Unidos sob a administração Trump, parece **pouco crível**. A tolerância internacional à ação americana na Venezuela tem se baseado, fundamentalmente, na **ilegitimidade do governo de Maduro**.
Confiança institucional e investimentos: a base da democracia
A construção de uma democracia constitucional sólida a longo prazo é **vital para atrair investimentos privados**. Empresas americanas como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips já sofreram processos de expropriação no passado, especialmente durante a era Chávez. O presidente da Exxon, por exemplo, declarou que a empresa perdeu seus ativos duas vezes e agora necessita de um **governo estável e mudanças no quadro jurídico** do país. Investimentos de grande porte dependem de **confiança institucional**, **direitos de propriedade** e **estabilidade jurídica**, elementos que apenas um governo constitucional pode garantir.
Lições do passado: o ‘soft power’ em Cuba
O debate sobre a legitimidade da intervenção frequentemente levanta a questão de como exatamente se “desliga” uma ditadura na América Latina. A memória traz à tona a visita de Barack Obama a Cuba em 2016. Na ocasião, o apelo americano pela democracia, o diálogo e o **soft power** foram interpretados por alguns como ferramentas capazes de despertar a sociedade civil. No entanto, o resultado foi um **fiasco diplomático**, com a visita sendo explorada pela ditadura cubana, culminando em uma carta de Fidel Castro que esnobou o presidente americano. Agora, o retorno do “big stick” (a política do grande porrete) na Venezuela pode legitimar-se caso resulte na **reconversão do país em uma democracia**. Caso contrário, poderá ser apenas mais um fiasco, desta vez com contornos menos diplomáticos, na já desafiadora história da América Latina.
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