Dólar sobe para R$ 5,37 com ruídos na área fiscal e expectativa de juros americanos

O dólar começou a semana pressionado pela combinação entre fatores internos e externos. A moeda americana chegou a bater R$ 5,389 na manhã desta segunda-feira, 10, acompanhando a valorização do dólar no mercado internacional após dados da economia americana. Até às 11:43, a moeda estava com alta de 0,9%, cotado em R$ 5,372.

Por aqui, questões envolvendo a política fiscal do Governo Lula tem sido um ingrediente a mais para elevar as cotações da moeda. Na sexta-feira, o dólar já havia registrado um pico de alta após o ministro da Fazenda Fernando Haddad participar de um evento fechado no banco Santander. A moeda americana subiu 0,5%, de R$ 5,25 para R$ 5,32.

No encontro, Haddad afirmou que há um conjunto de alternativas a serem levadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso de o crescimento das despesas obrigatórias do governo consumir o espaço para as despesas discricionárias (não obrigatórias, como recursos para custeio e investimentos) dentro da regra fiscal. Ele também não se comprometeu de forma explícita a respeitar o crescimento máximo de despesa, mas não disse que alteraria o arcabouço fiscal, um dos temores do mercado.

Dólar sobe por causa de fatores externos e internos Foto: Public Domain

Haddad reclamou do vazamento de “informações falsas”, negou mudanças no arcabouço e garantiu que, no encontro, havia dito que está disposto a contingenciar gastos.

Além disso, há uma piora das expectativas em relação à inflação e aos juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a projeção de inflação para este ano foi elevada pela quinta semana consecutiva. Para 2024, a estimativa passou de 3,88% para 3,90%. Um mês antes, a mediana era de 3,76%. Para 2025, foco principal da política monetária, a estimativa passou de 3,77% para 3,78%, ante 3,66% de um mês atrás. Apesar da continuidade da desancoragem das expectativas de inflação, o mercado manteve a projeção da Selic para 2024 em 10,25% ao ano. Há um mês, o patamar era de 9,75%.

Do lado externo, dados do relatório payroll acima das previsões, divulgados na sexta-feira, 7, diminuírem a chance de corte de juros nos EUA neste ano e de início da flexibilização em setembro. Isso provocou um ajuste global da moeda.

Há pouco, o Itaú Unibanco reiterou a projeção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) somente deve realizar um corte dos juros em 2024, em dezembro. Os investidores buscam proteção em dólar de olho em comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa de eventos nesta segunda, e no aguardo ainda da agenda semanal, que inclui o IPCA de maio, na terça-feira, a decisão de juros do Fed e o CPI (índice de inflação) dos EUA, ambos na quarta-feira, afirma.

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