Em vermelho ou verde e amarelo, manifestações de 1º de Maio não tiveram diferença alguma

Houve gritos contra o STF de um lado, os sinistros balões da CUT e bandeiras do MST do outro, mas ninguém falou nas quase 20 milhões de famílias que passam fome no Brasil

Montagem sobre fotos/Estadão Conteúdo

Montagem com duas fotos: à esquerda, jovem com camiseta vermelha de Lula faz L com a mão na praça Charles Miller; à direita, idosa segura cartaz em verde e amarelo
Enquanto esquerdistas se reuniram na Praça Charles Miller, apoiadores de Bolsonaro fizeram manifestação na Avenida Paulista

O que dizer das comemorações do Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? Houve duas comemorações: uma para o presidente Bolsonaro e outra para o ex-presidente Luiz Inácio, ex-presidiário por corrupção. Houve um tempo neste país em que a comemoração do 1º de Maio não era assim. Os trabalhadores se reuniam nas praças públicas e faziam seus reivindicações, discursando sobre o trabalho no país e os problemas que enfrentavam para poder manter a família. Não é mais assim. Em São Paulo, como era de se esperar, a aglomeração ocorreu na Avenida Paulista, mostrando orgulhosamente (?) as cores verde e amarelo. De outro lado, aqueles sinistros balões da CUT, as bandeiras e bonés do MST e o pavilhão do PT, o partido que nasceu para defender a ética na política e promoveu, quando no poder, o maior escândalo de corrupção conhecido no mundo. E em que os dois grupos se diferenciam? Em nada. São iguais.

Até há algum tempo, o PT era tido como uma seita. Ainda é. O mesmo ocorre agora com o bolsonarismo (transformou-se também em uma seita). E tudo é movido pelo ódio nesse meio. Os que se vestem de verde e amarelo transformaram a comemoração do Dia do Trabalho num ato contra o Supremo Tribunal Federal. E ficou por aí. Os auxiliares mais próximos de Bolsonaro aconselharam o presidente a não participar de nada. Mas em Brasília, Bolsonaro, sem fazer discurso, foi cumprimentar os que participavam da comemoração em sua homenagem, andando entre eles. O mote maior na capital federal foi pedir a ditadura de volta e nova edição do AI-5. Ocorre que só esse gesto do presidente, que parece cordial, foi uma maneira de marcar presença contra do STF.

Em São Paulo, o público foi maior, também de verde e amarelo. A manifestação foi organizada por apoiadores de Bolsonaro e teve como objetivo defender o deputado federal Daniel Silveira, aquele que dizem ter sido preso porque usou sua liberdade de livre expressão. É impressionante e vergonhoso também que tal figura transformou-se, de repente, num herói nacional. Não vai demorar  para que até assassinatos serão justificados como um ato exercendo a livre expressão. Para São Paulo, Bolsonaro gravou um vídeo com as mesmas palavras de sempre, dizendo que “este é um governo que acredita em Deus, respeita as autoridades, defende a família e deve lealdade ao povo”. Mas o ato na avenida Paulista também foi contra o STF e a favor do AI-5 e de um governo militar. 

O Dia do Trabalho simplesmente não existiu neste 1º de Maio. Quem falou em 12 milhões de desempregados e mais de 6 milhões que desistiram de procurar emprego? Quem falou nas quase 20 milhões de famílias que passam fome no Brasil porque não têm renda nenhuma para viver? Ninguém falou nada. Quanto à comemoração do PT, na Praça Charles Miller, foi organizada pelas centrais sindicais que preferiram chamar a manifestação de um “ato cultural”. Mas com o discurso de Lula, falando do mesmo jeito, desequilibrado e senhor de todas as verdades. Criticou o presidente Bolsonaro em tudo. Antes dele, alguns outros desconhecidos gritaram palavras de ordem. Quanto a Lula, o discurso é o mesmo dos anos 1960. Essa gente não muda em nada, a ignorância em relação ao mundo e ao Brasil de hoje é absurda. Pararam no tempo. Luiz Inácio exige que lhe peçam desculpas por ter sido preso por corrupção, mesmo sendo apontado como o grande chefe da quadrilha que roubava como nunca o dinheiro público brasileiro. 

Esse é o retrato de tudo que aconteceu no país inteiro. Houve manifestação a favor de Bolsonaro em todas as capitais brasileiras, menos Porto Velho. Contra ele, houve atos em 16 capitais. Mas nada de alarmante. Na “verdade verdadeira”, tudo realizada por uma gente sem ânimo e demonstrando estar cansada de tudo. Uma manifestação verde-amarela aqui, outra manifestação vermelha ali, e a tarde foi passando, foi passando e passou. No que diz respeito a São Paulo, que pode ser o retrato do país, as manifestações terminaram de forma melancólica. Todo mundo foi para casa com suas bandeiras, as vermelhas e as verde-amarelo. E para alegrar um pouco o ambiente, no final do ato do PT na Praça Charles Miller, um conjunto tocava um rock para meia dúzia de gatos-pingados com suas guitarras melancólicas.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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