Empresa francesa de eólicas é alvo de ação milionária de comunidade no Rio Grande do Norte

[Editada por: Marcelo Negreiros]

A Voltalia, empresa francesa de energia eólica, é alvo de um processo protocolado pela comunidade de Serra do Mel (RN), onde a companhia instalou 40 usinas. A ação pede a suspensão da operação e uma indenização milionária, por supostos danos socioambientais, contratos abusivos e redução artificial da previsão de poluição do empreendimento.

Procurada pela Coluna do Estadão, a Voltalia afirmou que não foi notificada. A empresa ressaltou que “cumpre rigorosamente a legislação brasileira” e adota “processo de construção contratual coletivo, participativo e transparente”. Leia a íntegra do comunicado ao fim da reportagem.

Detalhes da ação

No processo, protocolado na Justiça do Rio Grande do Norte na última quarta-feira, 21, três entidades representantes de trabalhadores da região exigem uma indenização de dano moral coletivo de pelo menos R$ 106 milhões, além de reparação de R$ 100 mil para cada pessoa que foi vítima de problemas de saúde ou contratos abusivos.

A Voltalia opera 36 usinas eólicas e tem outras quatro em preparação em Serra do Mel (RN), cidade de 13 mil habitantes no norte do estado. A ação judicial foi movida por três organizações sociais: Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte (Fetarn), Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (CUT-RN) e Serviço de Assistência Rural e Urbana (SAR).

Segundo as organizações que moveram o processo judicial, a atuação da companhia vem causando diversos prejuízos à população e ao meio ambiente da região. No processo, a comunidade pediu a suspensão das atividades da Voltalia até que sejam apresentados novos estudos de impacto ambiental.

Usinas eólicas no Rio Grande do Norte Foto: Voltalia

Ruídos das turbinas

De acordo com as entidades, as usinas da empresa foram instaladas próximo às casas de produtores rurais, o que estaria afetando afetando a saúde dessas pessoas. Uma das consequências citadas foi a Síndrome da Turbina Eólica, cujos sintomas incluem transtornos de ansiedade e pânico; tontura; enxaqueca; e distúrbios do sono.

Esses problemas de saúde têm aumentado nos últimos anos na cidade, apontaram as organizações, que cobraram que a companhia ofereça apoio psicológico e psiquiátrico aos trabalhadores rurais com esses sintomas.

Contratos abusivos com moradores

Em outro trecho dos documentos enviados à Justiça estadual, a comunidade de Serra do Mel (RN) afirmou que a Voltalia firmou contratos abusivos com produtores rurais, que não tiveram assistência jurídica adequada.

Segundo o processo, a empresa assinou contratos individualmente com os produtores rurais, sem debate coletivo com essa categoria. As entidades classificaram a medida de “estratégia de dividir para conquistar”.

Autor da ação, o advogado Felipe Gomes da Silva Vasconcellos, sócio da LBS Advogadas e Advogados, disse à Coluna do Estadão que a Voltalia não fez um estudo de impacto ambiental fundamental para avaliar eventuais danos.

“A empresa adotou uma estratégia de fracionamento dos empreendimentos e das licenças ambientais, de forma a artificialmente reduzir o porte e o potencial poluidor do projeto. Com isso, não realizou o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental, essencial para a avaliação dos impactos aos direitos humanos e proposição de medidas mitigadoras e compensatórias para a comunidade”.

Leia a íntegra do comunicado da Voltalia:

“Sobre o referido processo judicial, a Voltalia declara não ter sido oficialmente notificada. A empresa reforça que cumpre rigorosamente a legislação brasileira e adota as melhores práticas do setor, com um processo de construção contratual coletivo, participativo e transparente, além de um compromisso contínuo com o desenvolvimento social das comunidades nas áreas de atuação de seus projetos.”

[Por: Estadão Conteúdo]

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