Estudo relaciona pragas do Império Romano a períodos de frio intenso

Pesquisadores descobrem que mudanças climáticas podem ter influenciado pandemias no império romano. Um estudo publicado na revista Science revelou que períodos de frio intenso coincidiram com surtos de doenças como a Peste Antonina, a Peste de Cipriano e a Peste de Justiniano. Essas pandemias ocorreram entre 200 a.C e 600 d.C, abrangendo do final da república romana ao final do império romano.

O estudo, conduzido por universidades nos EUA, Holanda e Alemanha, usou duas abordagens para correlacionar clima e doenças. Primeiro, eles analisaram sedimentos coletados no Golfo de Tarento, na Itália, que continham resíduos de vários rios do império. Eles dataram os sedimentos usando erupções vulcânicas famosas, como a do Vesúvio em 79 d.C.

Segundo, eles reconstruíram a temperatura e o clima daquele período usando pequenos organismos chamados dinoflagelados. Essas algas unicelulares vivem em colunas d’água e ficam preservadas no sedimento. Elas são sensíveis a alterações de temperatura e têm ciclos de vida diferentes conforme o clima. Os pesquisadores identificaram as espécies de dinoflagelados nos sedimentos e determinaram como estava o clima daquele período.

Os resultados mostraram que houve fortes períodos de frio durante algumas pandemias famosas da época. Em 165 d.C, a Peste Antonina, causada por um patógeno desconhecido, durou até por volta de 180 d.C, coincidindo com uma forte onda de frio. Entre 245 e 275 d.C, a Peste de Cipriano, que causava vômitos e diarreia, também ocorreu durante um período de frio intenso. E em 541 d.C, a Peste de Justiniano, um surto de peste bubônica que antecedeu a peste negra, aconteceu durante a Pequena Era Glacial Tardia Antiga, um período de resfriamento do planeta.

Para Kyle Harper, historiador romano da Universidade de Oklahoma e do Instituto Santa Fe, e um dos autores do estudo, esse elo pode ter várias explicações, mas mostra que o ecossistema é um equilíbrio delicado.

“Quando você abala o sistema climático, isso realmente afeta os patógenos, ecossistemas e, acima de tudo, as sociedades humanas”, disse ao Live Science.


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