A dor que não se apaga: Família narra horrores do feminicídio em Itaporanga
A família de Cláudia Kell, vítima de um brutal feminicídio em Itaporanga, no Sertão da Paraíba, ainda vive sob o peso da tragédia que tirou sua vida e deixou sua filha de um ano baleada. O agressor, Elson Felix de Souza, ex-companheiro da vítima, encontra-se preso desde junho do ano passado, aguardando julgamento. A história, marcada pela violência e pela luta pela sobrevivência, revela as profundas cicatrizes deixadas pelo crime.
O trauma da perda e o cuidado com a sobrevivente
Adriana Oliveira, irmã da vítima, descreve o impacto avassalador da notícia. “Quando minha mãe falou foi como uma pancada muito grande na gente, pra mim, pras minhas irmãs também, mais a dor da minha mãe naquele momento, parece que foi hoje, falando isso aqui, lembrei tudo”, relatou emocionada à TV Paraíba. O foco da família, no entanto, precisou se voltar imediatamente para a criança que sobreviveu ao ataque. A filha do casal, que à época tinha apenas 1 ano, passou dois meses internada no Hospital de Trauma de Campina Grande. Atualmente, Adriana é quem cuida da menina, que mora com ela e seus outros irmãos.
“No momento de luto, eu fiquei no hospital, então quando eu saí, fui reviver aquela cena. Eu estava muito voltada para a criança, sofri muito porque perdi minha irmã, mas quando eu saí caiu a ficha. Eu chorava todos os dias”, confessou Adriana. Além da menina baleada, a vítima deixou outros três filhos, de 11, 7 e 4 anos, que agora são criados pelos avós maternos.
Histórico de violência e a busca por justiça
O pai de Cláudia, Ruzivete Clemente, relembra o histórico de agressões sofridas pela filha. “Ele judiava demais com ela, eu levei ela pra clínica, porque trincou costela, aconteceu tudo com ela. Outro dia, ele cortou o cabelo dela e colocou, com cola, no couro (cabeludo)”, contou. Elson Felix de Souza, que cometeu o feminicídio apenas três dias após sair da prisão, já possuía cinco passagens pela polícia por violência doméstica contra a vítima e era apontado como membro de uma facção criminosa.
O cunhado da vítima, Jacó Pereira, destacou a união da família em dar apoio às crianças. “Quando aconteceu o fato, a gente já pensou logo na criança, porque a gente queria prosseguir o trabalho da mãe dela, que não seria possível. Nada mais justo do que abraçá-la”, disse. A família agora aguarda o julgamento de Elson Felix de Souza, na esperança de que a justiça seja feita. “A Justiça foi feita e acho que deve cumprir bem para frente, porque não pode soltar aquele homem, um homem muito mau, não pode fazer uma coisa dessas, tão horrível que nem ele fez”, desabafou o pai.
Relembrando o crime e a prisão do acusado
O crime ocorreu após uma discussão entre o casal, quando Elson Felix foi até a casa de Cláudia e efetuou os disparos contra ela e a filha. Após a fuga, o acusado foi localizado em uma área de mata próxima a Itaporanga, em 1º de julho do ano passado. Ele estava com uma barraca e chegou a ser protegido por uma facção, mas foi forçado a deixar o local devido ao cerco policial, sendo preso com o apoio do setor de inteligência da Polícia Civil. O caso serve como um doloroso lembrete da persistência da violência doméstica e da necessidade de responsabilização.
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