Polícia Militar de São Paulo em Alerta: Aumento de Coronéis Desvia Policiais do Patrulhamento
Um plano de reestruturação da Polícia Militar de São Paulo está gerando polêmica e preocupação. A proposta, que visa aumentar o número de coronéis na corporação, pode resultar na retirada de aproximadamente meio batalhão de policiais das ruas para atender às novas demandas dos oficiais superiores. Além disso, o projeto prevê um custo adicional significativo para o estado, estimado em R$ 120 milhões em 2026.
Benesses Luxuosas para Altos Oficiais
O cerne da controvérsia reside nos privilégios destinados aos novos coronéis. Cada oficial recém-promovido terá direito a dois veículos descaracterizados, incluindo uma Trailblazer avaliada em R$ 411 mil, além de motoristas, seguranças e ordenanças. A estimativa é que a PM precise providenciar até 60 carros novos apenas para atender a essa demanda. Essa medida significaria o afastamento de cerca de 180 policiais do patrulhamento ostensivo, prejudicando a segurança pública.
Impacto nas Carreiras e nos Cofres Públicos
A reestruturação, que pretende elevar o número de coronéis de 64 para 94, também levanta preocupações sobre o engessamento das carreiras policiais. O aumento expressivo de vagas no topo da hierarquia pode comprometer o fluxo de promoções para as demais turmas de oficiais por até cinco anos. Paralelamente, a proposta inclui a promoção de cerca de 2 mil segundos-tenentes, elevando os salários em aproximadamente R$ 2,5 mil cada, o que representa um custo anual de mais de R$ 100 milhões. Essa medida, segundo coronéis consultados, visa beneficiar oficiais formados na Academia do Barro Branco, potencialmente gerando judicialização por parte de praças e outros oficiais.
Críticas e Comparativos Nacionais
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva, critica veementemente a proposta, comparando-a a “maus exemplos de outros Estados onde há lambança generalizada”. Ele aponta que, com o aumento proposto, São Paulo teria aproximadamente 1 coronel para cada mil policiais, enquanto em outros estados essa proporção é muito menor, como no Amazonas (1 coronel para 107 subordinados) ou no Ceará (1 coronel para 269 policiais). O coronel José Vicente ressalta que a progressão de carreira foi “longe demais”, resultando em “muito chefe e pouco índio”, e sugere a adoção de modelos mais sóbrios, como o da polícia do Reino Unido, que possui uma proporção significativamente menor de oficiais no topo da hierarquia.
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