Flávio Bolsonaro: Distante do pai, senador mira políticos e ignora militares na corrida presidencial

Flávio Bolsonaro foca em alianças políticas, distanciando-se da estratégia militar do pai

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem direcionado seus esforços para a **classe política** e o mercado financeiro, em uma estratégia que difere significativamente da adotada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto Jair Bolsonaro demonstrava intenção de incluir generais de alta patente em seu governo desde a pré-campanha, Flávio Bolsonaro tem deixado a aproximação com os militares para um segundo momento, segundo relatos de pessoas próximas ao senador.

Prioridade nas alianças e no mercado financeiro

Aliados de Flávio Bolsonaro indicam que o foco principal do senador está em construir **alianças políticas** sólidas com partidos como Republicanos, União Brasil, PSD e PP. O objetivo é garantir palanques estaduos e o acesso a recursos eleitorais essenciais, como tempo de televisão. Para isso, Flávio tem se reunido com figuras proeminentes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. A articulação política também conta com o senador Rogério Marinho (PL-RN) como coordenador político.

Além do cenário político, Flávio Bolsonaro também busca reverter a desconfiança do **mercado financeiro** em relação ao seu nome. Para tanto, encarregou o empresário Filipe Sabará de construir pontes com a Faria Lima e a classe empresarial, contando com o apoio de nomes como Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano em seu entorno econômico. O senador também tem investido em sua projeção internacional, com viagens a Israel e ao Bahrein, e planos para visitas ao México e Argentina, fortalecendo laços com a direita conservadora.

Diferenças de perfil e a experiência militar no governo anterior

A estratégia de Flávio Bolsonaro reflete um **perfil político** distinto do seu pai. Enquanto Jair Bolsonaro integrou o Exército até 1988, Flávio, formado em Direito, trilhou a carreira política desde cedo, assumindo seu primeiro mandato como deputado estadual do Rio de Janeiro aos 21 anos. Sua vivência política, que o coloca há 23 anos na atividade, o fez conviver com militares durante o governo do pai, um período marcado por tensões entre o núcleo familiar e a esfera militar.

O general da reserva Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, comentou sobre a dinâmica, afirmando desconhecer contatos de Flávio com militares da ativa. Segundo ele, a participação de militares no governo anterior foi uma **experiência negativa**, e qualquer futura inclusão seria uma decisão pessoal dos oficiais, não institucional. Santos Cruz ressaltou que a responsabilidade pela participação militar na política é individual e que o ex-presidente tentou, sem sucesso, arrastar as Forças Armadas para o jogo político, o que, em sua visão, não representou uma mancha institucional para as Forças Armadas.


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