Gastos com Carnaval no litoral cearense superam verba de três secretarias

O Carnaval de Aracati, cidade cearense com 75 mil habitantes, terá um custo de R$ 2,5 milhões, maior do que o orçamento de todo o ano destinado para setores essenciais, como meio ambiente, desenvolvimento econômico, trabalho e renda, desenvolvimento agrário e recursos hídricos.

Os contratos do município com 10 atrações artísticas para a folia, como Xand Avião, Felipe Amorim, Mari Fernandez e Pedro Sampaio, somam R$ 2,5 milhões. No ano passado, os shows do Carnaval da cidade custaram R$ 2,2 milhões.

Os shows de Xand Avião e Pedro Sampaio custarão, cada um, R$ 550 mil. A apresentação de Mari Fernandez foi contratada por R$ 450 mil; e Felipe Amorim fechou contrato de R$ 300 mil. Ainda não foram disponibilizados os valores dos shows de Ivete Sangalo e Gusttavo Lima.

A decisão da Prefeitura de Aracati de investir tanto dinheiro no Carnaval tem sido criticada por moradores da cidade, que apontam que o valor poderia ser usado para melhorar a infraestrutura e os serviços públicos do município.

A aposentada Ione Pereira de Oliveira, 52 anos, gravou um vídeo no qual pede para que os artistas não façam os shows em Aracati.


“Peço a vocês, de todo meu coração: ‘não venham, não’. Estão tirando dinheiro da nossa saúde, dos pacientes, que dá para socorrer outras pessoas, para a gente poder fazer nosso tratamento”, disse.

Ione é uma dos três pacientes que entraram na Justiça contra a Prefeitura de Aracati, para tentar garantir o transporte necessário até o município de Russas (CE), onde fazem tratamento de hemodiálise. A cidade vizinha fica a cerca de 70 quilômetros de distância.

Assista ao vídeo de Ione:

Em abril de 2023, o município retirou de circulação o carro que levava os pacientes até a cidade e disponibilizou um micro-ônibus para fazer o transporte dela, junto a outras pessoas, sob justificativa da necessidade de cortar despesas, segundo a paciente.

“Alegaram que tinham de tirar nosso carro por conta de contenção de gastos, porque a prefeitura não tinha condição de manter. Esse micro-ônibus é bom para quem tem saúde. Mas eu venho deitada e vomito toda vez. Estou com úlcera. Tem outra senhora que está sofrendo muito para subir e descer os degraus, porque tem o pé amputado”, desabafou a aposentada à coluna Grande Angular.

Com Metrópoles


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