Golpe e Desinformação: Exército prende militares ligados a trama golpista

Golpe e Desinformação: Exército prende militares ligados a trama golpista

Três condenados por disseminar fake news e tentar desestabilizar a democracia são detidos após decisão do STF.

Militares presos são condenados por fake news e golpe

O Exército Brasileiro cumpriu nesta sexta-feira, 10, mandados de prisão contra três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado núcleo 4 da trama golpista. Este grupo é acusado de disseminar desinformação nas redes sociais e atacar a Justiça Eleitoral, com o objetivo de viabilizar um golpe de Estado. As prisões ocorrem após o STF declarar o trânsito em julgado das condenações, o que significa que não cabem mais recursos e as penas devem ser cumpridas imediatamente, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Condenações e penas aplicadas

Por volta das 6h desta sexta-feira, foram detidos o major da reserva Ângelo Denicoli, condenado a 17 anos de prisão, o subtenente Giancarlo Rodrigues, com pena de 14 anos, e o tenente-coronel Guilherme Almeida, sentenciado a 13 anos e 6 meses. O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) busca contato com as defesas dos detidos.

Operação de desinformação e uso da Abin

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os réus teriam se valido da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários políticos e produzir e disseminar informações falsas. O alvo eram o processo eleitoral, as instituições democráticas e autoridades vistas como obstáculos ao plano golpista. Essa operação ficou conhecida como “Abin Paralela”, evidenciando o uso indevido de órgãos públicos para fins ilícitos.

Além dos presos hoje, outros quatro réus foram condenados no núcleo 4 em outubro do ano passado. São eles: o coronel Reginaldo Abreu (15 anos e 6 meses), foragido nos Estados Unidos, o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet (14 anos e 6 meses), o ex-major Ailton Moraes Barros (13 anos e 6 meses) e Carlos César Moretzsohn Rocha (7 anos e 6 meses), presidente do Instituto Voto Legal e foragido no Reino Unido.

Em março deste ano, a Primeira Turma do STF rejeitou, por unanimidade, os recursos das defesas. Os ministros entenderam que ficou comprovado que o grupo criou e espalhou notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e o Poder Judiciário, visando promover instabilidade política e justificar medidas de exceção. Os militares e o policial federal foram condenados por cinco crimes, incluindo organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Como efeito da condenação, os réus perderão seus cargos públicos e ficarão inelegíveis por oito anos, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa.


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