Investigação aponta repasse milionário do governo baiano para associação ligada a ex-diretor do Banco Master
O governo da Bahia realizou um aporte de R$ 140,1 milhões para uma associação de servidores que, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), é controlada pelo ex-diretor do Banco Master, Augusto Lima. A entidade, por sua vez, repassou parte significativa dos recursos, totalizando R$ 101,3 milhões, para o próprio Banco Master e outras duas empresas ligadas a Lima.
As transações ocorreram entre maio de 2024 e novembro de 2025, durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O relatório do Coaf, entregue à CPI do Crime Organizado, detalha que, além de R$ 65 milhões transferidos diretamente pela Secretaria Estadual da Fazenda, dois fundos de pensão de servidores estaduais, geridos pelo governo da Bahia, destinaram outros R$ 74,1 milhões para a Associação dos Servidores da Saúde do Estado (Asseba), que, em seguida, transferiu os valores.
Vínculos estreitos entre a Asseba, Augusto Lima e o Banco Master
O Coaf destacou que a Asseba é gerida pelo Instituto Terra Firme, fundado por Augusto Lima e atualmente sob o comando de sua esposa, Flávia Peres, ex-ministra na gestão de Jair Bolsonaro. O relatório aponta um entrelaçamento entre a entidade e os negócios do casal, evidenciado pelo uso dos mesmos contatos de telefone e e-mail entre a Asseba e a Terra Firme da Bahia Ltda, outra empresa de Lima.
Flávia Peres lidera o Instituto Terra Firme, que, segundo o Coaf, participou de iniciativas sociais e de governança junto ao Banco Master. O documento cita que Augusto Lima e Flávia Peres foram mencionados em investigações sobre operações financeiras suspeitas envolvendo carteiras de crédito consignado, demonstrando a complexidade das relações financeiras em questão.
Suspeitas de movimentação financeira atípica
O relatório do Coaf levantou indícios de movimentação incompatível com o faturamento declarado pela Asseba. Suspeita-se que a conta da associação possa ter sido utilizada para a passagem de dinheiro, devido a “recebimento de recursos com imediato débito de valores” e pagamentos de boletos para terceiros “sem motivação aparente”.
A Asseba também é investigada na Operação Compliance Zero por uma possível participação na geração de carteiras de créditos falsos do Banco Master, com estimativas de que o banco tenha originado R$ 12,2 bilhões em títulos fraudulentos. O Master ampliou sua atuação em crédito consignado para servidores baianos após adquirir o Credcesta, estatal privatizada pelo governo estadual, consolidando sua presença no mercado de crédito do estado.
Um roteiro de repasses e investigações
Os R$ 140,1 milhões enviados pelo governo e fundos de pensão representam mais de 80% das receitas da Asseba no período analisado pelo Coaf. Além dos repasses diretos, duas empresas públicas estaduais contribuíram com outros R$ 150 mil. A entidade repassou R$ 101,3 milhões ao Banco Master e R$ 21,7 milhões para as empresas Vida Serviços Administrativos e ACB Processamento de Dados, ambas com Augusto Lima como um de seus proprietários.
Um outro executivo do banco, André Kruschewsky, também foi beneficiado com R$ 626,7 mil recebidos por meio de seu escritório de advocacia. A complexidade das transações e os vínculos entre os envolvidos levantam sérias questões sobre a destinação dos recursos públicos e a transparência das operações financeiras investigadas.
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