Governo libera R$ 807 milhões em emendas para garantir apoio a Jorge Messias no STF
Recursos são estratégia para obter votos favoráveis à indicação de Messias à vaga de Barroso, mas oposição e centrão resistem
Ações do Planalto para aprovar Messias no Senado
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificou os esforços para assegurar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das principais táticas empregadas tem sido a liberação de expressivos recursos destinados a emendas parlamentares. Ao todo, já foram liberados **R$ 807 milhões** com o objetivo de angariar o apoio necessário no Senado.
Apesar da mobilização, o Planalto enfrenta desafios significativos. A principal dificuldade reside em obter o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que inicialmente defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Adicionalmente, Messias ainda encontra **resistência** por parte de setores da oposição e de parte do centrão, grupos que podem inviabilizar sua sabatina.
Resistência e estratégias de Alcolumbre
Após o anúncio da indicação de Messias, Alcolumbre reagiu promovendo a votação de pautas consideradas “bombas” e rompendo com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O presidente da Casa também acelerou o processo da sabatina, marcada para 10 de dezembro, apenas 20 dias após a indicação de Lula, que ainda não enviou a comunicação oficial ao Senado.
Segundo levantamento do site Poder360, Messias precisa conquistar apenas **três votos adicionais** entre os 27 senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para ter sua indicação aprovada nesta primeira etapa. Atualmente, ele conta com 12 votos favoráveis e 12 contrários, necessitando de maioria simples para avançar. Caso aprovado na CCJ, a indicação seguirá para o Plenário do Senado, onde **41 votos** serão necessários para a confirmação.
Foco em emendas de bancada e comissão
O portal Metrópoles aponta que o Planalto priorizou o pagamento de emendas parlamentares como forma de melhorar a relação com o Senado e facilitar a aprovação de Messias. As emendas de bancada destinadas ao **Amapá**, estado de Alcolumbre, e ao **Maranhão**, base do senador Weverton Rocha (PDT) — relator da indicação —, foram privilegiadas. Juntas, as bancadas desses dois estados receberam **22,9% dos R$ 807 milhões** liberados pelo governo desde a indicação.
É importante notar que as emendas de bancadas estaduais e de comissões dificultam a rastreabilidade de sua autoria, pois são assinadas coletivamente. Essa falta de transparência tem sido alvo de críticas, inclusive do ministro Flávio Dino, que já questionou e chegou a sustar pagamentos desse tipo de emenda. A preferência de parte do Senado por Rodrigo Pacheco estaria ligada à percepção de que ele seria mais propenso a defender os interesses do Parlamento em conflitos com o Executivo, especialmente em questões como a liberação de emendas.
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