Governo Tarcísio Aumenta Chefes na PM, Mas Retira Policiais das Ruas

Aumento de Cargos de Comando Preocupa Especialistas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou um projeto de lei que **aumenta o número de coronéis na Polícia Militar** do estado. A medida, enviada à Assembleia Legislativa, prevê a criação de dez novas vagas para coronéis, além de um **aumento geral no quadro de oficiais**, elevando o total de 5.483 para 6.209. A principal crítica reside no fato de que essa expansão de cargos de chefia **não prevê a contratação de novos soldados ou cabos**, que são os policiais responsáveis pelo patrulhamento ostensivo nas ruas.

Polêmicas e Custos para os Cofres Públicos

Inicialmente, o plano do secretário de Segurança, Guilherme Derrite, era mais ambicioso, com a intenção de criar 50 novos chefes sem justificar a necessidade operacional. O projeto que chegou à Assembleia foi desidratado para dez novos coronéis, mas a consequência permanece a mesma: a **retirada de policiais das ruas**. Cada novo coronel terá direito a dois carros novos e uma equipe de seis policiais para auxiliá-lo, o que significa que praças que poderiam estar em patrulhamento serão desviados para funções de apoio aos novos comandantes, como motoristas e seguranças.

Efetivo Encolhido e Aumento de Custos

A situação se agrava considerando o **encolhimento do efetivo da PM de São Paulo na última década**. A corporação opera próximo ao seu mínimo histórico, com 81.594 policiais em 9 de janeiro, abaixo dos 93.802 previstos por lei. Paralelamente, observa-se um **aumento de 65% no número de PMs servindo autoridades do Executivo**. O governo estima que o projeto custará **R$ 450 milhões aos cofres públicos em três anos**, sem que haja um único soldado a mais nas ruas para garantir a segurança da população. Especialistas, como o coronel José Vicente, alertam para a necessidade de sobriedade organizacional, criticando a tendência de uma “pirâmide invertida, muito chefe e pouco índio”.

Reformulação de Carreira ou Política Salarial Eleitoral?

O governo também anunciou o fim da categoria de soldados de 2ª classe, com a promoção de todos. Contudo, o **total de soldados e cabos permanecerá o mesmo**. Promoções de 2º tenentes para 1º tenente também ocorrerão, com o posto de 2º tenente sendo destinado a praças. Essa estratégia é vista por alguns como uma forma de utilizar os graus hierárquicos como política salarial em ano eleitoral, em vez de uma modernização efetiva da carreira policial. A preocupação é que a **expansão de cargos de chefia** e a reorganização interna possam comprometer a capacidade de policiamento ostensivo, enquanto o cidadão arca com os custos sem um benefício direto na segurança pública.


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