Haddad minimiza crise: ‘Estremecimento momentâneo’ entre Congresso e Governo Lula

Haddad busca acalmar ânimos e afasta hipótese de rompimento com o Congresso

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou nesta quarta-feira (26) que o Congresso Nacional tenha rompido relações com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Haddad, o momento atual é de um “estremecimento momentâneo”, afastando a ideia de uma crise profunda entre os poderes. A declaração surge em meio a tensões recentes, como a ausência dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de sanção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, um evento importante para a agenda econômica do governo.

Haddad, que tem atuado como um dos principais articuladores do governo junto ao Legislativo, expressou confiança na superação das divergências. “Essas coisas acontecem. Se você recuperar o passado recente, desde o começo do governo, às vezes dá um estremecimento momentâneo em virtude de alguma disputa, alguma expectativa frustrada. O que é natural, mas eu tenho confiança de que isso passa”, afirmou o ministro em entrevista à GloboNews. Ele ressaltou que a cúpula do Legislativo não está rompida com o presidente Lula.

Crise se aprofunda com divergências sobre indicações e projetos

A atual tensão entre os poderes tem sido alimentada por dois pontos principais nas últimas semanas. O primeiro diz respeito à crítica do Planalto à escolha do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei que visa combater facções criminosas, iniciativa do Ministério da Justiça. O segundo ponto de atrito envolve a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), uma escolha que desagradou Davi Alcolumbre. O presidente do Senado expressou insatisfação por não ter sido oficialmente comunicado sobre a decisão de Lula, tendo preferência por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.

Como consequência dessas divergências, os presidentes do Senado e da Câmara romperam relações com os líderes do PT e do governo nas respectivas casas legislativas, Lindbergh Farias (PT-RJ) na Câmara e Jaques Wagner (PT-BA) no Senado. Apesar do cenário, Haddad minimizou a crise e demonstrou otimismo quanto à continuidade da aprovação de medidas econômicas pelo Congresso. Ele também defendeu a prerrogativa constitucional do presidente em indicar nomes para o STF.

Haddad defende prerrogativa presidencial e elogia atuação do Congresso

Sobre a indicação de Jorge Messias para o STF, Haddad argumentou: “É natural que um presidente da República indique a pessoa que vai ser sabatinada. […] É um candidato natural pelo domínio que tem dos assuntos de Estado, o Messias tem sido extremamente diligente com as questões relativas ao Estado brasileiro em relação às questões fiscais, mantém com os 11 ministros do Supremo uma relação excepcional”.

Em um gesto de conciliação, durante a cerimônia de sanção da isenção do IR, tanto Haddad quanto Lula fizeram questão de elogiar o trabalho dos parlamentares. O ministro descreveu Arthur Lira e Davi Alcolumbre como “diligentes” na aprovação do projeto. Lula, por sua vez, complementou, parabenizando “os deputados e senadores que tiveram a sensibilidade de fazer com que o país pudesse continuar acreditando na política, na democracia, de que é possível a gente viver democraticamente na diversidade”.


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