Hugo Motta celebra vitória na Câmara e petistas admitem: ‘o Centrão sabe fazer festa’

[Editada por: Marcelo Negreiros]

O jantar para comemorar a vitória de Hugo Motta (Republicanos-PB) na eleição para a presidência da Câmara varou a madrugada deste domingo, 2, e reuniu políticos de diversos matizes ideológicos, do PT ao PL, em um amplo salão de Brasília. Um petista próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, sob reserva, à Coluna do Estadão: “o Centrão sabe fazer festa.”

Eleito com 444 votos, em primeiro turno, Motta virou uma espécie de consenso na Câmara, apoiado por lulistas e bolsonaristas. Recebeu em sua confraternização ministros de Lula, como o petista Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) e o emedebista Jader Filho (Cidades), e bolsonaristas, como a deputada Caroline de Toni (PL-SC).

Apostas sobre a tão esperada reforma ministerial e elogios ao discurso de Motta após vencer a disputa na Câmara marcaram a comemoração.

Petistas viram um aceno à esquerda quando o novo presidente da Casa fez menção ao filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que narra a história do desaparecimento de Rubens Paiva (Selton Mello) durante a ditadura militar e a luta de sua esposa, Eunice Paiva (Fernanda Torres), pelo reconhecimento da morte do parlamentar. O longa foi indicado em três categorias do Oscar. A bancada do PSOL chegou a se levantar para aplaudir.

“Ele mostrou que estamos virando a página do bolsonarismo”, disse o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário). “A luta contra a ditadura foi muito presente na vida da família Motta”, afirmou o novo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).

Figuras de destaque na Operação Lava Jato também bateram ponto na festa de Motta. O empresário Wesley Batista, de volta à política após um escândalo que culminou com sua prisão, em 2017, circulou animadamente pelo salão. Dono da holding J&F, ele chegou a dizer, brincando, que nem sabia como havia parado ali.

O prefeito de Maceió (AL), João Henrique Caldas (JHC), esteve presente e teve longa conversa com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. O presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Marcelo Andrade, e o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, também compareceram, assim como Guilherme Derrite (PL-SP), secretário de Segurança do governo Tarcísio de Freitas.

Os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira, fiel da candidatura de Hugo Motta, do União Brasil, Antonio de Rueda, do MDB, Baleia Rossi, e do PP, Ciro Nogueira, foram prestigiar Hugo. Ciro é considerado o “padrinho” do novo presidente da Câmara.

Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara Foto: Iander Porcella/Estadão

Após ter ido na noite de sexta-feira à festa de despedida do deputado Arthur Lira (PP-AL), que comandou a Câmara por dois mandatos, o ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (Republicanos), que teve o mandato cassado em 2016, compareceu à homenagem a Motta, que foi seu “pupilo”. Responsável por dar o pontapé inicial no impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Cunha hoje conversa sem problemas com deputados do PT.

Embalada por música sertaneja, de Boate Azul a Pense em Mim, forró e MPB, a festa também contou com a presença de ministros do governo Lula. Além de Padilha, Jader e Teixeira, comparecerem Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e André Fufuca (Esporte).

Lira chegou à festa sorridente e disse que tinha plena confiança no sucessor. Cercado por jornalistas que queriam saber se ele iria para algum ministério, o ex-presidente da Câmara desconversava: “Não recebi nenhum convite”. A mesma atitude era adotada por Gleisi. “Ninguém pode sentar na cadeira antes da hora”, dizia.

Longe de Lira, muitos de seus colegas diziam que o ex-presidente da Câmara estava feliz porque Motta havia obtido 444 votos, vinte a menos do que ele conquistou em 2023. “Estou é orgulhoso”, afirmou Lira. Com esse placar, Motta se tornou o segundo presidente mais votado da Câmara.

Eleito presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) fez uma festa de comemoração “pétit comité”, com a presença de senadores, como Efraim Filho (PB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), e de Padilha.

Wesley Batista, empresário da J&F, e Ciro Nogueira, presidente do PP Foto: Iander Porcella/Estadão

[Por: Estadão Conteúdo]

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