Hugo Motta em Crise: Sob Ataque da Esquerda à Direita, Presidente da Câmara Tenta Equilíbrio sob Pressão de Lira

Presidente da Câmara, Hugo Motta, em Ponto de Ebulição Política

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encontra-se em uma posição delicada, alvo de críticas que partem de diversos espectros políticos. Em conversas reservadas, Motta tem expressado surpresa e desconforto com a intensidade dos ataques direcionados a ele, chegando a se emocionar ao relatar a **turbulência** que assola a Casa Legislativa, onde ocupa a presidência há apenas dez meses.

A situação se agrava com declarações de Arthur Lira (PP-AL), padrinho político de Motta, que admitiu estar **decepcionado** com o desempenho de seu afilhado. A recente operação da Polícia Federal, focada em emendas parlamentares, intensificou a crise que envolve o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Operação da PF e a Relação com Lira

As diligências da Polícia Federal foram autorizadas pelo ministro do STF, Flávio Dino, e miram Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Fialek, braço direito de Lira em sua gestão anterior na presidência da Câmara e atualmente assessora da liderança do PP, teve sua residência e sigilos vasculhados.

Este episódio ocorre em um momento de **desgaste acentuado** para Motta, que manifesta revolta com as críticas vindas do Planalto, do PT e de setores bolsonaristas. Paralelamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também enfrenta atritos com o governo e o STF, mas demonstra maior resiliência, afirmando ter “couro duro”.

Protestos e Demandas da Esquerda

A esquerda, incluindo o PT, movimentos sociais e artistas, convocou manifestações para este domingo em todo o país. O motivo é a **aprovação do projeto de lei** que reduz as penas de Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O cantor Caetano Veloso, em suas redes sociais, anunciou: “Vamos devolver o Congresso para o povo”, convocando para a mobilização.

A proposta, que beneficia Bolsonaro, foi aprovada pela Câmara em uma sessão tumultuada. Na véspera da votação, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chegou a ocupar a cadeira de Motta em protesto contra uma possível cassação por um incidente com um militante do MBL, sendo retirado à força. Parlamentares e jornalistas relataram agressões durante o episódio.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), chegou a pedir a renúncia de Motta, alegando que ele “está perdendo as condições de continuar na presidência dessa Casa”. Farias acusou Motta de criar “armadilhas” para o presidente Lula, citando votações sobre o decreto do IOF, a urgência para a anistia, a PEC da Blindagem e o **deixar caducar a Medida Provisória** que taxava bancos e fintechs. Ele descreveu a atuação de Motta como “sistemática” contra o governo, criticando também a escolha de Guilherme Derrite como relator do projeto antifacção e a proposta de anistia.

O Preço da Conciliação e os Desafios Econômicos

Um acordo de última hora entre o governo e o PSD salvou Glauber Braga da cassação, com a suspensão de seu mandato por seis meses. Em troca, a esquerda se comprometeu a apoiar a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio em 2026. Lula interveio nas articulações, ligando para Braga após o resultado.

Arthur Lira, por outro lado, demonstrou irritação, pois desejava a cassação de Braga, a quem associa à montagem do orçamento secreto. Lira culpou Motta pelo **fracasso na votação** e admitiu a aliados seu desânimo com o sucessor, apelando para a necessidade de um “freio de arrumação” na Câmara.

Integrantes do PL também expressaram queixas, acusando Motta de trair Bolsonaro, a quem teria prometido apoio à anistia. O deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) resumiu a situação: “Hugo está tentando fazer um jogo de conciliação, mas vem sendo mal-compreendido. Com isso, ele apanha da direita, da esquerda e do governo”. Ele destacou o inusitado de ambos os lados comemorarem votações e, em seguida, criticarem Motta.

O STF anulou a decisão sobre Carla Zambelli, determinando sua cassação imediata, o que representou mais um revés para Motta. Há no Planalto o temor de que a **indisposição com Motta**, somada à fúria de Alcolumbre e Lira, possa impactar negativamente a agenda econômica. A aprovação do projeto de redução de benefícios fiscais e do Orçamento é crucial para as contas públicas, com a falta do corte de gastos tributários representando um déficit de R$ 20 bilhões para 2026.

O presidente do PT, Edinho Silva, criticou a agenda do Congresso, definindo-a como “extremamente impopular, que gera instabilidade institucional. Uma agenda de confronto político”. José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, apontou a **degradação do ambiente no Congresso** como o principal problema, lamentando que “o princípio da lacração virou a regra geral” e conclamando por um “pacto de boa convivência”.


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