Bancada Evangélica Dividida sobre Jorge Messias para o STF
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado forte debate e divisão dentro da bancada evangélica. Enquanto uma parcela expressa receio de que Messias possa adotar o ativismo judicial, ameaçando o direito à vida, a liberdade religiosa e a independência do Legislativo, outra parte do grupo considera a possibilidade de apoiá-lo reservadamente, em parte por ele ser evangélico.
Críticas e Argumentos da Resistência
O deputado Eli Borges (PL-TO), ex-líder da bancada, é uma das vozes mais céticas. Ele citou o parecer da AGU na ADPF 1141, onde Messias teria defendido o aborto sem limite gestacional em casos de estupro e apoiado a revogação de uma resolução do CFM que restringia a assistolia fetal. “Um cristão defende a vida”, declarou Borges, sinalizando que esse posicionamento compromete o apoio.
Senadores como Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES) também manifestaram forte oposição. Seif criticou o que chamou de “alinhamento ideológico e instrumentalização da AGU”, citando outras ações do órgão. Magno Malta relembrou o episódio de 2016 envolvendo Dilma Rousseff e Lula, argumentando que “mostrou a quem Messias servia”. Ambos rejeitam a ideia de que a identidade religiosa de Messias deva influenciar o voto, priorizando seu histórico funcional e a independência da Corte.
Articulação do Planalto e Busca por Diálogo
Diante da resistência, o Planalto intensificou conversas para evitar uma derrota. A estratégia governista busca explorar a divisão interna da bancada evangélica, dificultando a formação de um bloco coeso contra a indicação. Messias tem buscado dialogar com parlamentares e também se reuniu com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde teria se manifestado contrário ao aborto, segundo o jornal O Globo.
A AGU, em nota, afirmou que Jorge Messias “vai procurar todos os senadores e senadoras, incluindo os da bancada evangélica, e se colocará à disposição para esclarecer todas as dúvidas”. Sobre as fraudes no INSS, a AGU negou omissão, explicando que as ações só foram tomadas após apresentação de indícios concretos.
Incertezas e o Futuro da Sabatina
A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, marcada para 10 de dezembro, promete ser um momento crucial. Parlamentares avaliam que a indicação só se consolidará se Messias demonstrar independência real do governo Lula e afastar o risco de ativismo judicial em pautas sensíveis. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) expressou reservas, classificando Messias como “um jurista de esquerda” e afirmando que a aproximação com líderes evangélicos não garante seu voto.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da bancada evangélica, tem sido um dos críticos mais vocais, acusando a AGU de omissão em casos de fraudes. Ele defende a convocação de Messias à CPMI do INSS para prestar esclarecimentos, elevando o tom da cobrança e cogitando a possibilidade de sua prisão.
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